
sábado, 30 de agosto de 2008

Foto: Daniel Novaes
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Belle Justie anda com vontade de explodir
Ela queria comprar um trator
Ela precisa de uma luva de box
Ela finge ficar em silêncio
Mas o olhar dela grita
Ela é um exagero
O sorriso dela é um feitiço
Mas o amor dela anda contido
Só o que importa pra ele agora são coisas que pra ela não fazem mais sentido
Ela só quer ficar descabelada, subir nele e mostrar o que é uma paixão de verdade
Nada frio
Tudo quente, queimando
Ele desistiu dessas coisas que fazem de um homem um homem
E Belle Justie acha que ele andou bebendo alguma coisa.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Vejo frases de como as mulheres devem se comportar. São escritores, psicólogos, terapeutas, amigos, irmãos, dizendo o que a gente deve fazer. Esses últimos aí, então, se fosse obedecer, eu nem seria eu.
O meu irmão primogênito tem 30 anos, parece mais velho que o meu pai, com 60. Ele faz o estilo extremamente conservador, já meu pai é moderno, divertido e sabe respeitar profundamente as decisões femininas. Meu pai adora cozinhar e decorar a mesa para as suas mulheres.
O irmão do meio me vê como uma mulher futurista. Ele é um tipo conservador descolado. O olhar dele é como quem diz: “Façam o que quiserem, suas doidas!” A vida fez dele o mais experiente quando o assunto é mulher. Estudou comigo e via minhas sutis extravagâncias desde a adolescência. Hoje ele tem três mulheres... a esposa e as duas filhas. Cada uma mais cheia de virtudes que a outra. É engraçado como esse “pirralho” sabe lidar com elas. E essa mulherada é fascinada por ele, porque ele é manso, beijoqueiro, bagunceiro e é daqueles que nunca diz não pra ninguém.
O psicólogo norte-americano Steven Carter escreveu o livro “Homens gostam de mulheres que gostam de si mesmas" (Ed. Sextante). Não lerei, nem indico, só vou comentar. Até porque ele mesmo disse: “Não se esforce demais para descobrir o que os homens querem. ¹”
Depois, Carter fala: “As mulheres inteligentes sabem quem são e o que têm a oferecer ²”. “Não aceitam nada menos do que merecem ³ e não oferecem nada rápido demais”. Só aí são quatro questões, complexíssimas, apesar de parecerem óbvias.
Quanto à segunda frase, podemos até dizer: “Sei de algumas das minhas qualidades, alguns defeitos, sonhos, fomes, sedes, filmes preferidos, mas, quem sou eu? Alguém assopra aí, por favor! Depois, o que tenho a oferecer? Uma fortuna. Sou herdeira de pais riquíssimos... de adjetivos. No entanto, as coisas que formam a minha herança interessam a quem? A um monte de gente? Mas quem seria tão bom pra dividir?
E quanto ao “não aceitam menos do que merecem”: o que eu mereço? Promessas de paixão eterna? Um namoro com seguro de vida? Ou só uma noite de amor sensível? Tem alguma coisa melhor ou pior aí?
sexta-feira, 25 de julho de 2008
E adoro ficar quieta, silenciosa, mexendo só com o olhar
Sentir o néctar das extravagâncias, das esquisitices alheias
As inquietações, as dores, as dúvidas e os tropeços.
Adoro ouvir a turbulência ou o nada da multidão.
Gosto de ver tudo, qualquer coisa que me fure o peito,
arranque a alma ou destrua tudo que antes domava minha opinião.
Porque quem sorri, chora aos prantos.
Quem tem um ataque de nervos, só queria o silêncio.
Quem canta, queria explodir em alguém.
E há coisa mais linda do que ser ridículo?
Adoro o ridículo. Porque o ridículo é verdadeiro.
E quem não quer ser verdadeiro se esconde.
Sorrir ou debochar dos extremos.
Tudo depende do olhar.
E tudo só importa se for com amor,
aos montes.
domingo, 25 de maio de 2008
terça-feira, 29 de abril de 2008
Enquanto existe o pudor, Belle Justie se diverte
Belle Justie definitivamente é uma louca, louca varrida, louca de jogar pedra, louca de rasgar dinheiro. E agora ela tá tão louca que anda até lendo bula de remédio.
Belle Justie é despudorada. E disseram que ela é pueril.
Belle Justie não está nem aí pra nada porque Belle Justie é Belle Justie, e igual a Belle Justie só há Belle Justie.
sexta-feira, 21 de março de 2008
(Parte I)
Belle Justie é tudo
não quer mais nada
sonha com nada
lembra de nada
gosta de nada
nada era louco por tudo
tudo se encantava com nada
se importava com nada
desejava nada
nada ficava em paz com tudo
tudo era louca por nada
mas nada brigou com tudo
tudo brigou com nada
porque nada quer tudo
tudo não esquece nada
nada ainda lembra de tudo
tudo e nada não se entendem
mas tudo e nada nasceram no mesmo lugar
nada e tudo se encontraram
nada sentiu tudo
sentiu o prazer de tudo
foi às nuvens com tudo
tudo acreditou em nada
tudo quis ser criança
nada quer ser adulto
nada não pode ver tudo
os planos de nada se desmanchariam com tudo
porque nada entra em choque com tudo
nada não consegue ver tudo
porque nada ia querer possuir tudo
tudo ia fazer cara de tudo
porque tudo é fogo com tudo
tudo pediu desculpa a nada por falar tudo em forma de nada.
(Parte II)
Tudo é quase nada sem nada
nada tem inveja de tudo
não tem mais o sabor de tudo
vive sem a delícia de tudo
tudo foi feliz com nada
nada sabe ser tudo,
menos nada.
(Parte III)
Nada é uma pimenta de nada
gosta do corpo de tudo
da cabeça de tudo
do coração de tudo
tudo tirou tudo por nada
nada brincou com tudo
jorrou tudo em tudo
tudo dormiu em nada
nada olhou pra tudo
tudo chorou pra nada
nada admirou tudo
tudo desmaiou em nada
acordou protegida por nada
olhou pra nada
e pediu mais nada
nada deu mais nada pra tudo
nada sentiu tudo de tudo de novo com tudo
e tudo sentiu tudo de tudo de novo com nada.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Minha amiga intelectual e vencedora de olímpiadas de conhecimentos Camila Rocha, 11 anos. Depois dessa foto, a gente conversou sobre a Sorbonne, a Oxford e doutorados. Ela também me deu dicas de maquiagem, disse que eu sou muito fofinha e que pareço uma criança. 


O sentido nunca se fecha.
segunda-feira, 17 de março de 2008
terça-feira, 11 de março de 2008
Um dia sonhei com uma vida assim, completamente rosa. Estive acordada por uns dias, e a vida escureceu, estava sem graça, sem sentido, não sabia pra que lado eu dobrava. Foram dias nebulosos. Eu senti frio, medo, medo de sentir saudade, principalmente. Medo de desistir de sonhar. Medo de ficar acordada para o resto da vida. Medo de achar que essa vida aqui é séria mesmo. Medo de achar que tudo isso aqui é pra valer. Medo de lutar pelo que não é importante. Medo de olhar pro lado errado. Medo de ficar calada. Medo de perceber que estou virando mulher. Medo de ter certeza que esse lugar aqui é duro, que as pessoas são duras. Eu escureci. Meus olhos escureceram. Minhas lentes quebraram. Meu bolso quebrou. Até meu copo de peixinhos quebrou. E eu dormi rodeada de cacos.
Mas ontem eu sonhei de novo, e você estava lá, todo arteiro.
domingo, 9 de março de 2008
B1
Bên’eê..., você tem inveja da minha barriga, não tem? Então, vem me achar, vem! Quando você me achar, se é que vai me achar, eu vou lhe mostrar uma coisa. Eu tenho mesmo que lhe mostrar uma coisa. Há dias quero lhe mostrar essa coisa. E você nem pode opinar. Quero que você toque, sinta. Olhe e cheire. Se você quiser, pode pintar também.
B2
Meu amor, que tal coisa é essa? Não consigo lhe achar, onde você se meteu? Tô ficando nervoso. E você sabe como eu fico quando eu fico nervoso... Anda logo, vai... Que tal coisa é essa?
Ah, amor, eu tô com sono também. Eu só quero abraçar você. Eu já sei... você quer me enlouquecer, não é mesmo? Tá bem, tá bem, você já está me enlouquecendo... Admito! Agora é só você aparecer. Reaparece, vai!
B3
Bên’eê..., você sabe que eu não vou reaparecer. Não vou, e pronto. Eu só tenho que lhe mostrar uma coisa, é só isso. Você não precisa mais de mim. Aliás, você precisa de mim, sim. Ah, mas o que isso importa agora, a essa hora da madrugada? A verdade é que EU não quero mais precisar de você. Não quero, e pronto. Sei que você deve estar louco a essa hora. Louco de tudo. Tá doido pra me mostrar tudo. Doido pra deixar a cortina da sala aberta. Eu sei que você não se importa com os vizinhos. Você não se importa com nada. Você nunca me dá tempo de fechar a cortina. Sei que é de propósito. Só pra me por no meu lugar. No fundo, quer que eu pense que só você pode me fazer feliz. Mas não aceito mais chantagens. É só com você que eu posso ser feliz? Então eu não quero mais ser feliz. Prefiro a lertagia, o vão, a escuridão. Prefiro sentir medo do trovão. E que trovões chatos! Ontem um deles matou uma vizinha. Ela morava na rua 15. Eu não senti nada, porque eu não sinto mais nada. E o meu olhar, o meu sorriso, o meu cabelo não são mais os mesmos. E minhas lágrimas? A última foi aquela que você enxugou. Você lembra? É claro que lembra, foi naquele dia que você se saciou. Você estava perfeito naquele dia, mas eu não quero falar disso porque eu nem lembro direito de nada. Não quero lembrar de mais nada.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Belle Justie tem a vida mansa
Acorda às 11 horas da madrugada todo dia
O sonho dela era viver no mundo da lua
Só queria ler jornais de outros planetas
Não gasta um vintém com jornais escritos na Terra
Ela também sonha em ser livre
Belle Justie não gosta que incomodem os seus pensamentos
Caso contrário, todas as idéias iriam tinta abaixo
As idéias dela têm cores
Belle Justie adora entrar nos pensamentos alheios
É uma especialista no assunto
ninguém sabe como ela é capaz
mas ela faz divinamente bem
À noite quando ela acorda atordoada
e nota a ausência do homem dela na cama,
ela se despedaça por uns instantes
e rapidamente sai voando até os sonhos dele
ela entra sonolenta e com pressa
nunca pede licença
nunca, nunquinha, ela fez isso
Mas Belle Justie é extremamente educada
só não consegue bater na porta dos sonhos do homem dela
e ele adora sonhar com Belle Justie
mas com ela ele só vive nos sonhos
só nos sonhos e nada mais
Os dois são completamente iguais
e extremamente diferentes
O sorriso dele é único
o dela é um doce
O andar dele é manso
o dela é macio, como quem pede, pede, pede...
O cabelo dele é raríssimo
e Belle Justie vive descabelada
O olhar dele é como pétala no deserto
o dela é como um riacho no sertão
Os dois são definitivamente perfeitos
Belle Justie é fascinada por ele
E ele é alucinado por ela.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Tá perdoado (Maria Rita)*primeiro texto não originalmente amoraosmontes
perfumei o elevador
pra tirar de vez o mau olhado
a saudade me esquentou
consertei o ventilador
pro teu corpo não ficar suado
nessa onda de calor
eu até peguei uma cor
tô com o corpo todo bronzeado
seja do jeito que for
eu te juro meu amor
se quiser voltar, tá perdoado
fui a pé a salvador
de joelho ao redentor
pra ver nosso amor abençoado
nosso lar se enfeitou
a esperança germinou
ah, tem muita flor
pra todo lado
pra curar a minha dor
procurei um bom doutor
me mandou beijar teu beijo
mais molhado
seja do jeito que for
eu te juro, meu amor,
se quiser voltar, tá perdoado
e se voltar te dou café
preliminar com cafuné
pra deixar teu dia mais gostoso
pode almoçar o que quiser,
e repetir,
te dou colher
faz daquele jeito carinhoso
deixa pintar o entardecer
e o sol brincar de se esconder
tarde e chuva
eu fico mais fogosa
e vai ficando pro jantar
tu vai ver só,
pode esperar
que a noite será maravilhosa
domingo, 3 de fevereiro de 2008
beijo por beijo
não vou deixar pra trás nenhum
exijo de volta cada um
meus beijos ousados, suados, molhados
todos
todos que tocaram seus lábios
todos que perturbaram o seu sono
os beijos quentes de entrada
os suaves de saída
quero todos, um por um
não deixarei nada com você
nenhum
nenhuma lembrança
e não vou deixar barato nenhum dos meus beijos
se você se negar, vou a qualquer lugar lhe denunciar
e não vou gritar
só o meu olhar vai falar
porque quem prova dos meus beijos tem que me amar.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Por que “O Caçador de Pipas” mexeu tanto comigo?Falo do filme. Não do livro, ainda. Primeiro, na cena mais linda, Hassan (o garoto simples, humilde e amigo – nas verdadeiras concepções destas palavras) parece extremamente comigo. Fiquei orgulhosíssima dele. Ao mesmo tempo, senti uma vontade irracional de agir ao contrário, como nunca antes. Senti uma necessidade incontrolável de revidar. Revidar contra as questões mal resolvidas.
Geralmente, quando tratava de assuntos de amor, ou de amizade, só engrossava os meus músculos da paciência. O meu “eu” paciente estava ficando cada vez mais forte, intocável, inabalável. Ora esse “eu” era matemático, ora astrológico, ora ele sabia até calcular as linhas do tempo.
Este “eu” se sentia extremamente feliz. Até esse “eu” ver o Hassan, naquela cena inesquecível: sentado embaixo de um pé de romã, ele dá a boa nova a Amir que está aprendendo a ler, está começando com histórias para crianças; num olhar perfeitamente amigo, conta que as histórias escritas e contadas por Amir são muito mais divertidas.
Com uma romã na mão, Amir começa:
- O que você faria se eu desse isso na sua cabeça?
- O que você faria?
Amir jogou uma romã no peito de Hassan. A fruta vermelha escorria no corpo.
- Bata em mim! (e acertava outra)
- Revide! Revide! (e mais outra)
- Você é um covarde!
Hassan, numa atitude heróica e demonstrando um caráter indescritivelmente admirável, pega uma das frutas no chão e a esfrega na própria testa. O meu rosto derreteu em lágrimas nessa hora. Hassan não se defende, só ama, só é leal, só perdoa. Os Hassans nunca maltratam ou ofendem seu melhor amigo, mesmo com os vários sinais de fraqueza e covardia dos Amirs.
Hassan não via nenhum sinal ruim em Amir. Amir não tinha defeito. Se tinha, pouco importava. Porque Hassan só sabia amar Amir. Nada mais. E eu deveria ter seguido os passos de Hassan.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Um plano. Um alô. Um calafrio. Uma voz quente. Suave. De mulher. Ele nunca tinha ouvido antes. O que era aquilo? Um terremoto. Uma vontade. Um caldeirão. Imaginação. Curiosidade. Que mulher era aquela? Outro alô. Um desejo. Um encontro. Uma surpresa. Uma tensão. Mais vontade. Dois olhares arquitetônicos. Uma apresentação. Dois sorrisos. Um negócio a tratar. Outra vontade. Uma gentileza. Dois sorvetes! Uma mesa redonda. Um monte de gente invisível ao redor. Dois corações. Negócio fechado! Um convite. Um acordo. Uma carona. Uma conversa. Demorada. Engraçada. Inteligente. De descobrimento. De coincidências. De trocas. De primeira, segunda, terceira... intenções. Um sentimento irresistível. Desejo de desviar o caminho. Entrega, anunciada no pensamento dos dois. Um “obrigada!”. Uma despedida. Mas eles queriam tudo. Pés. Cabeça. Alma. Tudo!
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Quando criança, eu era branquinha, do nariz afilado e o cabelo curto cheio de cachos dourados. Parecia um anjinho de tão gente boa. Aos 10 anos, me furtaram o primeiro beijo, foi atrás da escola. Senti-me invadida, enganada e tive vontade de denunciar na delegacia mais próxima. Ao mesmo tempo, gostei da iniciativa do menino. Menino danado! Aquilo me fez sorri depois. Guardei o segredo como quem guarda a vontade de quero mais. Na verdade, na hora, fiquei completamente sem graça. Em seguida, desejei correr atrás dele e me vingar. Tascaria outro beijo nele. Dessa vez, na frente de todo mundo, só pra matar ele de vergonha.
Um adulto apareceu segundos depois, e eu tive que conter aquela confusão de sentimentos. Na realidade, fiquei com raiva por dois motivos: um, porque eu gostava de outro menino, o mais danado da escola, ele era uma pestinha, e nos meus sentimentos mais íntimos queria que ele tivesse furtado o meu primeiro beijo; dois, porque fiquei com medo dele saber do furto e não querer mais um beijo meu, nem furtado, nem negociado, nem dado de coração.
Fiquei com medo de me tornar uma menina desinteressante, porque os lábios já tinham sido tocados. Tive medo de perder a atenção do menino mais legal da escola. Ele vivia suado e sujo. A gente adorava brincar de correr um atrás do outro. E eu adorava quando a gente caía junto no capim do campo da escola.
Nós dois disputávamos o título de mais danados do colégio, ele, na categoria masculina e, eu, na feminina. A diferença era que ele não se controlava tempo algum, e, eu, quando entrava na sala de aula me transformava. Não era dissimulação, não. Tinha uma sede angustiante de aprender. Cada vez mais e mais. Além disso, adorava ter o amor das professoras. Não abria mão disso por nada no mundo. Muito por ser leonina, não conseguia respirar sem me suflarem os elogios.
Engraçado que o nome dele era Luís. Eu achava lindo esse nome: Luís. Luís! Bonito, não é?
O tempo passou e eu nunca mais vi o Luís, mas antes dele desaparecer completamente da minha vida, ele me tascou um beijo, naquela parte mais sensível do rosto. O coração, coitado, foi a mil. Mas eu, menina boba, passei a mão direita na boca rapidamente, para ele nem de leve pensar que eu tinha ficado doidinha pelo beijo dele, por mais um, dois, três... quantos ele quisesse dar. Naquela hora, fui embora pra casa. Ele pra dele. E nosso beijo suado nunca mais se encontrou. Era o último dia de aula.
domingo, 13 de janeiro de 2008
Os Homens São de Marte... e é para Lá que Eu VouOs homens sempre dão uma empinada na nossa vida. É só saber escolher. Nem que ele não dure mais do que uma semana. Duvida? É só entender a canetada de mestra de Mônica Martelli (já explico quem é. A foto dela está aí em cima). Ela, depois de passar mais de 30 anos rotulada como a fracassada da família, decidiu escrever despretensiosamente sobre suas aventuras amorosas e sexuais. Texto que acabou dando no monólogo “Os Homens São de Marte... e é para Lá que Eu Vou”, uma febre no Rio que agora vai virar filme e já pensam em transformá-la em série de TV.
É só uma tragicomédia simples. Mônica estava solteira na época e teve coragem de dizer o que muita gente esconde nesses tempos modernos: a mulher precisa de um homem para ser feliz. Pode até doer como um chute no que tem debaixo das calçolas das feministas, mas não é nada mais do que uma antiga verdade. Ora, qualquer mulher que tem a feminilidade encravada na pele vai preferir assistir a um filme agarradinha com o seu amor a assistir sozinha. Ou não é? Claro que tem horas que a gente quer ficar só, mas só umas “horinhazinhas”!
E é mais divertida a vida de solteira ou a de compactuada com um amor? Ai, ai, ai... Digo que numa noitada solteira a gente brinca, dança à vontade, fala barbaridades, canta no carro com a amiga mais maluca que a gente tem, dá gargalhadas incontroláveis e, no final, sabe que não vai ter nenhum beijinho. E na manhã seguinte, sabe que vai acordar com o corpo coberto por uma camisola. E não tem nem perigo de levantar sem ela. Só se sofrer de algum distúrbio durante o sono.
E a empinada na vida das mulheres que os homens dão? Um exemplo é da própria Mônica Martelli. Ela cursou Direito e não terminou; concluiu Jornalismo e não vingou como jornalista; participou de várias novelas da Globo e em todas as vezes ninguém ouviu sua voz. Até que conheceu Jerry, quando ele estava em São Paulo produzindo um show do Ed Motta. Mônica pensava que ele era gay. Quando Jerry disse que era hétero ela se apaixonou na hora. Pouco tempo depois, foram morar juntos. Jerry passou a produzir a vida de Mônica. Ele logo botou a mulher para tirar os textos dela do papel para o computador. Digitadas as histórias, depois dos empurrões do marido, Mônica jogou o negócio pra frente e estreou a peça. Fez sucesso e agora, como disse no início, vai virar filme. Hummm... vai uma empinadinha aí? Só se for com pipoca, e pra dois.
Obs.: Não assisti ao monólogo, escrevi esse texto com base em uma reportagem da revista Marie Claire deste mês.
sábado, 12 de janeiro de 2008
Detesto as picuinhas mundanas. Sou extremamente mal educada com elas. Viro as costas e me finjo de morta diante delas. Às vezes, dou gargalhadas pra elas. Depois esqueço e não dou trela nenhuma. Sou uma grande decepção para os inimigos. Eles não têm a menor chance comigo. Só vejo pessoas amigas ou pessoas burras que querem trocar uma amizade por um belo prato de fofocas quentinhas ou requentadas. Para estas pessoas peço desculpa pelo meu mau jeito, mas não consigo deixar de desprezá-las. Passo a régua sem dó, com a maior frieza do mundo.
Consumindo a vida assim, achava que não existiam novelas com a minha pessoa. Pois não é que existem? E várias! Cada qual mais cinematográfica do que a outra. Claro que na minha sala de projeção elas são barradas completamente. Não divulgo nada, nenhum resuminho. Só sinto pena por um instante e depois lembro que a maioria das pessoas ainda não sabe apreciar seus próprios filmes e não consegue viver sem jogar pimenta na história dos outros.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Pra mim, o mundo anda maluco e a cada dia acho que não entendo mais nada sobre o amor. E na semana passada, vi dois casais amigos brigarem. Duas amigas sofriam e eu nem me aproximei porque acho que não sei mais de nada, não sei mais dar conselho, não quero mais nem dar nem receber conselhos, pelo menos por enquanto. Acho que o mundo está muito maluco mesmo. E eu estou ficando maluca também. Ora eu quero ficar gostosona, bronzeada, ora eu me acho linda branquinha. Ora eu quero ficar na minha, quetinha.
sábado, 22 de dezembro de 2007
Belle Justie acordou, posicionou-se em frente ao espelho e levou um susto. Era um susto que escorria singeleza para todos os lados. Um susto bom, boníssimo. Ela nada mais era que um réptil saurofídeo. Belle Justie mudava de cor, de faces, de sabor, de cheiro, de tudo. Olhar, sorriso, toque. Cruzada de pernas, mordida nos lábios, virada de cabeça, mexido no cabelo, beijo no canto da boca, aceno de mão. Tudo mudava à medida que ela desviava o olhar, ora seco ora molhado. Ora suave, ora ríspido, ora resplandecente, ora puro mistério. Certa hora ela se viu mais bonita. Ela via que de menina virava mulher, e de mulher de repente virava menina, de menina uma criança, de criança um bebê. Em um segundo, Justie se transformava. Aparentava uma velhinha, uma velhinha boaziiiinha, gente boooa... Velhinha atenciosa, respeitada, preocupada, cheia de sabedoria para espalhar por aí, cansada e com vontade de descansar. Velhinha amada, muito amada por um monte de gente. Do nada, Belle Justie voltava a ser uma criancinha, não conhecia nenhum problema, só queria brincar, pular e sorrir. Queria também dançar, cantar, gritar e falar o que desse na telha. Justie se deparou com uma camaleoa e viu no espelho o melhor e mais sem juízo jeito de ser feliz.
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Hoje Belle Justie enfureceu-se
Vestiu camiseta verde, cheia de gatinhos
E um sutiã vermelho
Vivo, bem vivo
Ela queria arrancar a pele de um até ver o sangue
Belle Justie estava mesmo enfurecida
Belle Justie vestiu calcinha vermelha também
Vermelho sangue
Belle Justie estava muito enfurecida
Tanto que deixou a alça vermelha à mostra
Ela se irritou até por estar com as unhas pintadas de branco
Queria vermelho, muito vermelho
Estava tão enfurecida que calçou uma sandália caríssima
Ela não era a mesma
Tinha vontade de devorar alguém
Belle Justie visitou um sex shop
Comprou tudo que o vendedor lhe ofereceu
A fúria de Belle Justie dava pra ver no caminhado, na voz e no modo como ela tocava o cabelo
Ela jogou todas as armas no porta-malas do carro
E bateu com força
Eram armas para arrancar a pele do causador da fúria dela
O olhar de Belle Justie esfumaçava
E ai de alguém que passasse na frente dela
Belle Justie não tinha palavras
Só fumaça
Ela não se reconhecia
E quando ela passava, os homens, coitados, se enfeitiçavam
Belle Justie é uma feiticeira
Há tempos ela não usa sua varinha
Era cor-de-rosa
Mas ela partiu ao meio
Belle Justie não queria ter que transformar mais nenhum dos seus namorados em sapo
E o príncipe tem que correr para não ver Belle Justie soltando fumaça.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Belle Justie disse que quer andar de chinelo
Cabelo assanhado
Camiseta
Short rasgado
Nada de maquiagem
Se possível descalça
Nada de pernas cruzadas
Pernas abertas
Pés curvados
Só a metade da sola no chão
Belle Justie dançou sem ver ninguém
Quer que ninguém se apaixone por ela
Também não quer se apaixonar por ninguém
Belle Justie só quer se apaixonar por Belle Justie
Belle Justie prometeu que vai triplicar a alucinação.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Piquenique secreto
Banho de cachoeira deserta
Fotos embaixo d’água
Olhar eterno
Dança inédita
Purificação no quarto
Visita a amigo do peito
Ligação de perdão
Pôr em prática um grande projeto
Doação integral
Escalar montanha
Roteiro alternativo
Brincadeira com as nuvens
Corte do mal pela raiz
Plano de um nascimento
Esquecimento do passado
Vida desde o primeiro bocejo
Mágica: dar um beijo no meio do tempo e imediatamente fazer surgir os raios do sol só pra abençoar o amor.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
sábado, 10 de novembro de 2007
O farmacêutico que fugiu com o rabo entre as pernas
O farmacêutico errou. Errou feio. Feiíssimo. Tá rindo, é? Pode rir à vontade. Por que não há nada mais engraçado do que descobrir que não existe fórmula química nenhuma. Não há projeções matemáticas. Nem previsões pluviométricas. Muito menos resposta verdadeira para tampar o desalinhavo que o sonho deixou. Não há medicamento. Nem remédio. Nada. Nada dá jeito. O sonho é só um. A dúvida é que tinha obrigação de ser nenhuma. E não há forasteiro que se atreva a dizer que inventou o imaginável desmemoriômetro. E que mentira mais mentirosa ele inventou. E a mensagem mais fajuta do mundo foi a do simples incrível... Simples incrível? Rá-rá-rá... Simples incrível há, mas só um. Cadê ele? Quem souber, quem tiver, quem sentir, jure me dizer, por favor! Quem nunca tiver ouvido falar, me perdoe também, por favor. E quem o viu passar de longe, tamanha sorte. Ficou feliz. E o que importa escrever traços rabiscados, se minha’lma não descreve nenhum laço longe do teu quarto, do canto do teu lábio, do sorriso e dos versos que eram só teus?
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
O simples incrível que todo mundo devia saber
A prefeita de Amarolândia contratou um farmacêutico responsável pela invenção de um remédio milagroso. A fórmula é simples e muito eficaz. É incrível! O único problema é que o medicamento pode afetar a memória. Um dos sintomas adversos é o esquecimento, principalmente de tudo que seja pelo menos um tantinho desagradável. Qualquer pequeno mau trato é deletado da memória em frações de segundos. Se o paciente tiver um problema mal resolvido, então... já era! È esquecimento na certa. A fórmula está sendo distribuída gratuitamente pelas ruas da cidade através do PSRA – Programa para a Saúde e Revigoramento da Alma. O farmacêutico alerta que quem tem qualquer tendência masoquista não deve tomar o medicamento. Quem gosta de sentir ciúme, ficar em segundo plano ou se alimentar com ilusões também não deve usar nenhuma gota do remédio. E pra quem tem paciência de ler bula de remédio, está lá a fórmula: um novo amor! Ops!!! Só isso? Não pode ser!!! Como uma prefeita tão respeitada como a de Amarolândia pode tirar do orçamento público municipal uma quantia tão valiosa para pagar um farmacêutico desses?
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
domingo, 28 de outubro de 2007
A prefeita de Amarolândia escreveu uma mensagem e espalhou em outdoors por toda a cidade:
"Eu não lhe escolheria se você não tivesse competência para assumir cargo tão importante na minha vida. Você é até símbolo das minhas calcinhas... Queria te ver feliz, mas para isso você precisaria andar comigo 24 horas por dia. Você nem sabe o que faz! Devia deixar eu decidir tudo... Eu nem acredito que você possa ser feliz longe de mim, só dentro de mim, bem dentro de mim... Mentira sua que finge ter paz em mundos onde eu não estou."
Assim que eu cheguei do Rio de Janeiro a Teresina (eu tinha uns dois anos), minha mãe ia trabalhar, e eu não me conformava com a quebra do cordão umbilical. Quando ela saía de casa, era aquela confusão. Eu chorava desesperadamente pra ela ficar. E não eram uns snif, snifizinhos não, eram uns buaaaaaaaá, buaaaaaaaaaaá’s escandolosos. Hoje, pensando bem, inteligente seria se eu voltasse a minha personalidade geniosa, esperta e dramática de antigamente.
Naquela época, eu acabava com a minha garganta... (Ai que dó da minha garganta agora!) Eu esgoelava, esgoelava, esgoelava... e saía correndo pelas ruas perto do Restaurante Dona Maria, no Jóckey, onde foi a minha primeira casa em Teresina. Eu sabia fazer chantagem também ficando sem comer, eu era um terror... Tudo pra ela voltar pra mim...
Num dia das minhas insistidas, eu desmaiei no meio da rua. Pluft! E advinha quem me salvou? Um bendito carro de lixo que passava bem na horinha. (Diziam os meus irmãos mais velhos que eu fui achada dentro de uma lata de lixo. Eu passei minha infância tendo que ouvir isso. Eu morria de rir por dentro, achava muito engraçado, mas fazia cara de mau pra não dar o braço a torcer.)
Foi nesse dia que o meu plano infalível deu certo. Minha mãezinha boazinha pediu demissão do emprego pra ficar colada em mim o dia inteiro. Tudo bem que trabalhar é bom, mas cuidar de uma fofurinha que nem eu devia ser muito melhor, não é mesmo?
Agora, aos 25 anos, não sei mais o que é fazer escândalo. E até que fiz alguns na minha adolescência. Aliás, nem sei se passei por isso, acho que de criança virei mulher. E mulher não chora, nem arrisca as cordas da voz, nem grita correndo pelas ruas, muito menos sai desmaiando por aí a fora. Mulher de verdade engole seco, tem sangue no olho, não sente medo, sabe que dentro dela tem um escudo de ferro. Mas mulher de verdade só quer um guerreiro pra detonar esse escudo de ferro idiota que ela insiste em guardar com ela.
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Que você nem conheceu a minha avó. Dona Chiquinha tinha os olhos azuis, a pele branquinha, cabelo feito espaguetes, compriiiidos. Ela era um amor de gente. Diziam que eu tinha sido achada numa lata de lixo, mas quando eu vi aquele riso pela primeira vez tive a certeza de que o meu sangue circulava na veia dela. Um sangue simples, de cor vermelha mesmo, um vermelho vivo, de gente que quando nasceu olhou no dicionário o significado de gente, gente que não encontrou o significado da palavra maldade, gente que nem precisava perdoar porque não se sentia ferida por nada, gente que só de olhar não precisava dizer ‘eu te amo’, gente que se escondia feito menina pra ajudar. E eu tinha um namorado que todo mundo dizia que ele era feio, e ela botava a mão no queixo e dizia que ele era lindo. Ele é liiiindo! Minha avó era aquele tipo que não precisava dizer nada pra dar conselhos, bastava olhar pra ela. E hoje depois de tantos anos chorei lembrando dela. Dei a minha vez pra todo mundo, agora é a minha, só minha. E se ela estiver aqui do meu lado agora, ela sabe que eu já dei um monte de tropeços, mas no todo eu só quero ser um pedacinho do bolo doce que ela deixou aqui.
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Quer jogar de amor?
Cuidado que vai ter transmissão
Teu jogo é penetrante,
Escaldante
Ou pura afobação?
Vivo o teu vivo
Vive a minha viva
E quem não mais quer esse vidão?
Nesse jogo
Eu não brinco
Nem faço improvisação
Sente cada suspiro
Cada sorriso
Cada comemoração
Nesse jogo eu sou forte
Eu vivo da diversão.
domingo, 14 de outubro de 2007
Meu amor, nesses dias em que eu estarei longe, não esqueça de tomar todas as noites as suas doses de beta-resulvômetro.
E antes de ir dormir, ao acordar, depois de tomar café, antes e depois do almoço, na hora do cafezinho da tarde, depois do jantar e na hora do banho, lembre-se que eu adoro muito você!
Beijinhos da sua mulher!
As inscrições para o concurso de Amarolândia foram suspensas. A decisão foi tomada neste sábado (13), durante o sono da prefeita do município. A assessoria de imprensa marcou uma entrevista coletiva para as primeiras horas do dia, mas só a repórter de política do blog ‘Amor aos Montes’ compareceu. A ausência dos outros jornalistas se tratou de um boicote. Todos queriam dar uma resposta malcriada à prefeita que vinha demonstrando ao longo dos meses preferência ao “Amor aos Montes”. A prefeita não estava a fim de falar muito mesmo e então adorou se pronunciar para uma repórter só.
Pois bem, vamos aos fatos:
A executiva municipal informou que a suspensão do concurso seguirá até que o ex-detento consiga retirar a algema prateada da mão direita. “Infelizmente não posso ajudá-lo nesse desafio, pois estaria sendo cúmplice de uma fuga. Isso atrapalharia a minha reeleição. Arriscaria muita coisa por ele, mas não posso abandonar o meu povo”, esbravejou a prefeita.
Ela revelou que sentia uma dor apertada sempre que ele tocava o rosto dela. A algema pendurada arranhava cada curva do corpo. A prefeita chegava a fechar os olhos imaginando um ferrageiro pondo um fim naquele objeto horrível. Mesmo louca por ele, a prefeita ratificou que não vai telefonar para nenhum funcionário ou eleitor que possua a máquina capaz de quebrar o ferro.
A prefeita vai se licenciar. Quer se afastar de todo e qualquer problema durante uns dias. Ela quer viajar. Deseja ouvir o silêncio. Toques? “Só o do vento no meu cabelo”. Troca de olhares? “Apenas com o próprio espelho”. E quem vai observar a sua pele macia? “O mar deserto”. Quem vai mergulhar no seu sorriso? “Só quem já for invisível”. E as palavras? Quem vai ter o prazer de ouvi-las? “Alguém que estiver perdido na areia”. E o som que escorre por sua respiração? “Só na imaginação dele”. Isso é um castigo? “Não, espaço para os pensamentos”. E vocês vão sobreviver separados? ... (ela parou por um instante e deixou uma lágrima escorrer pelo canto do olho). “A entrevista acabou” – interrompeu a assessora.
domingo, 7 de outubro de 2007
O candidato que passou alguns dias preso na delegacia da cidade vizinha conseguiu fugir na noite deste sábado. A roupa verde dele rasgou, e ele saiu nu pelo matagal até chegar a Amarolândia. Ofegante, diminuiu a velocidade dos passos ao reconhecer a casa da prefeita. As ruas estavam às escuras. Um som sutil de televisão zoava pelas brechas das janelas da Casa Oficial. Ao ouvir sussurros, a prefeita pediu pra que desligassem a TV. Do outro lado da rua, era ele, carregado de ansiedade e cansado de tanto correr... A executiva municipal logo percebeu que se tratava do candidato que tanto esperava. E ele, ao vê-la, aproximou-se de mansinho e rasgou as palavras que há tempos entupia a garganta: “eu sou louco por você. Não consigo mais esconder isso...”. A prefeita sabia a resposta, mas naquele momento só queria sentir por todo o corpo aquelas palavras. Queria sentir cada pontada, cada picada. Estava gritando por dentro e sem nenhum barulho por fora. Uma dor que não doía, nem se descrevia. Inteligente que só ela, preferiu responder com a transferência de pensamentos. Apaixonado que só ele, entendeu direitinho, e pediu, também através de transferência de pensamentos, que ela soasse aquelas palavras que ele acabara de entender. Ela que é só ela, atendeu prontamente ao pedido, e disse via palavras que era louca por ele também.
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Concurso III
A amiga Francilene Oliveira (quem está concluindo especialização em Jornalismo Literário em São Paulo) falando sobre o concurso do município de Amarolândia:
- Estou ansiosa para ver o que vai dar... rsrssrsrs. bjs.
A detetive que acabou de entrar no curso do Movimento Brasileiro de Alfabetização Amorosa, ministrado no lugarejo conhecido como Encanto dos Bobim:
- E eu também... Fontes confiabilíssimas informaram que a prefeita não vai mais prorrogar as inscrições. Com o meu faro de detetive andei descobrindo também que aquela delegada (de pouca capacidade técnica-amorosa) do município vizinho não deve deixar o candidato preso por muito tempo. Caso ela não desista da prisão e se ele não conseguir fugir a tempo de efetuar a inscrição, a prefeita pretende dar um grande desfecho para essa história toda. Tive a oportunidade de conhecer a prefeita de perto. Vi que ela estudou na Sorbone, tem doutorado em Ciências Amorosas, e está "comendo" livros para o seu pós-doutoramento. Só não descobri qual é a tese. Deve ser algo do tipo: as aplicações conceituais do amor no cotidiano de uma gestora pública à procura de um servidor-padrão.
domingo, 30 de setembro de 2007
sábado, 29 de setembro de 2007
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
eu ontem fui a festa na casa do Bolinha
confesso não gostei dos modos da Glorinha
toda assanhada nunca vi igual
trocava mil beijocas com Raposo no quintal
porém pouco durou a...quela paixão
pois Bolinha com ciúmes formou a confusão
Aninha tropeçou e os copos derrubou
e a casa do Bolinha num inferno se tornou
Bolinha provou que é ciumento pra' chuchu'
e, que não gosta da Lulú
bobinha, que por êle ainda chora
com tanto pão dando bola no salão
luluzinha foi gostar logo do bolão.
(música do Golden Boys - ouvi hoje pela primeira vez, achei muito engraçadinha)
domingo, 23 de setembro de 2007
As inscrições para o concurso do município de Amarolândia foram prorrogadas. Até agora, há 9.999.999 inscritos. A prefeita ficou surpresa com o número de interessados, mas preocupada com o perfil dos candidatos. A maioria tem algum tipo de vínculo empregatício. E a prefeita só quer trabalhador com exclusividade. O incrível é que o único candidato que está apto para a disputa ainda não se inscreveu. Curiosos e ávidos por fofocas, os moradores da cidade sondam o motivo dele ainda não ter concretizado a inscrição. A secretária da prefeitura informou em primeira mão ao “Amor aos Montes” que este candidato já pegou a ficha de inscrição e saiu da prefeitura todo sorridente com a ficha no peito. Não se sabe ainda por que cargas d’água ele ainda não se inscreveu. A dona Bita da Baronesa revelou, também em primeira mão ao “Amor aos Montes”, que ele na realidade é louco pela prefeita e por isso tem medo de retaliações. Já a delegada da mulher Linda Alves publicou nota dizendo que está investigando o caso com delicadeza e já há indícios de que o candidato está preso em uma cidade vizinha. Quem o prendeu injustamente foi uma delegada com pouca competência para exercer o cargo. Um detector de pensamentos teria verificado que à noite, na cela, ele só pensa em se preparar para vencer o concurso e ser o homem mais estonteante de felicidade de toda a redondeza.
Regozijo
Não existe nada melhor que folgar no domingo
Há tempos não saboreava um dia assim
Ouvi músicas e mais músicas
Li minhas pilhas de revistas como há tempos não fazia
Retomei a leitura de um livro antigo
Vi notícias boas sobre amigos importantes na minha vida
Observei tranqüilamente a Maria Fernanda,
com seus três longos anos de experiência,
ligar e desligar meu computador repetidas vezes
tudo para ver o sorriso dela,
que é um dos mais lindos do mundo
ela se divertia sabendo que fazia caquinha
ela sabe que a tia é uma grande negociadora de sorrisos
bancaria o prejuízo só pra ficar degustando o riso delicioso dela
mas ela ficou séria por um instante
e aproveitei aquele momento da minha “desfragilidade”
diante da falta do riso dela,
para fazer a primeira e única reclamação.
ela que só sorri pra todo mundo
(e por isso todo mundo só sorri pra ela)
fez expressão de desapontamento,
delatou a tia pra avó
disse que a titia havia brigado com ela
como se fosse a coisa mais absurda e injusta do universo
e ela sabe dedurar tão delicadamente como ninguém
Só vendo pra ver.
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Ontem senti o gosto da solidão
É salgado
Engorda
Eu também vi
Tem uma tela bem grande
Eu cheguei a ouvir
Tem som de buzina
Sotaque mexicano
Pisadas de garçom
Só não dá pra ouvir sussurros
Senti frio
Não dá pra sentir assopros
Nem arrepios
Solidão tem gosto, cheiro, imagem, som
demasiadamente desagradáveis
O sexto sentido não sente nada
Vi pontos de exclamação,
Interrogação
Reticências
Nenhum me disse nada
Ou eu não ouvi?
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
tire esse medo da cara, não diga nada
largue esse gosto amargo do seu colar
que eu cheguei foi pra ficar,
se eu chorei foi de saudade, amor,
não foi de dor não,
se eu brinquei foi só maldade,
mas agora é calmaria
quando eu chegar na Frei Serafim
laços de fita, meu bem, acene pra mim,
não quero dinheiro, mas me vendo por inteiro
pois seu beijo é um pretexto pra eu ficar no Piauí.
não quero dinheiro, mas me vendo por inteiro
pois seu beijo é um pretexto
pra eu morar no Piauí.
(Calmaria - Vavá Ribeiro)
domingo, 26 de agosto de 2007
No município de Amarolândia, a prefeita lançou um concurso nas últimas horas deste domingo (26). Por lá, são comuns essas seleções. O diferente é que agora há somente uma vaga. E já fofocam pela cidade que só um candidato está apto para a disputa. O boato deve causar conflito na região, mas a prefeita tem fama de não negociar com manifestantes. Bem humorada, ela conta que a função e o salário serão mantidos em sigilo. O candidato escolhido só ocupará o cargo se constatar que está de acordo com a Constituição do Amor Brasileiro.
Será levado em conta o homem que:
1) melhor abrir a porta do carro para a prefeita
2) deixá-la o dia inteiro de orelha a orelha
3) nas manhãs de domingo, souber deixá-la linda com apenas um toque
4) o candidato que com mais perfeição deixar a prefeita ler os seus pensamentos a exatos 13 km de distância
5) melhor descrever os seus sonhos
6) melhor arrumar o cabelo da prefeita com os dedos da mão direita
7) melhor fazer o sangue da prefeita circular
8) melhor fazê-la relaxar depois de um dia cansativo de trabalho pelo bem do povo
9) melhor aconchegá-la durante o sono
10) prepará-la eficazmente todos os dias antes de ir para a sede do Governo Municipal
11) for capaz de mostrar que é muito melhor do que qualquer exigência prevista neste edital.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Amigo
- Ei, ei! Ela me conhece!!! (disparou para o frentista e correu em minha direção todo serelepe)
- Oi, fia! Tu lembra de mim?
Eu
- Lembro, claro!
Amigo
- Viu, viu! Ela me conhece.
- Eu sou o Edivan... Eu estou andando sozinho agora, sabia? sabia?
(e o riso era maior do que o rosto dele)
Eu
- Que bom...
Amigo
- Fia, eu te amo, sabia?
Eu
- Sabia. Eu te amo também.
Amigo
- Fia, fia, tu tem o meu telefone?
Eu
- Não.
Amigo
- Tá aqui, tá aqui ele...
(Me mostrou um aparelho Nokia bem novinho e tirou um monte de papéis do bolso. Em um deles tinha o número do celular, o nome completo e o endereço da casa dele.)
- É esse aqui, fia, anota aí!
Eu
- Vou gravar no meu celular.
(E gravei toda interessada. Já ele ria tanto que eu não tinha como tirar a minha atenção dele. Mas lembrei do meu compromisso e liguei o carro.)
Amigo
- Fia, fia... E o teu telefone qual é?
Eu
- Ah, claro...
(Aí gravei um número que ele poderia me localizar. Avisei que eu tinha que ir. Ele concordou numa boa e fez sinal de despedida.)
Amigo
-Ah, fia, eu te amo, viu? E me liga...
(Eu já estava distante e só sorri.)
Chegando em casa, lembrei de uma frase que diz “Para amar, basta sentir. Não é preciso explicação, nem justificativa, nem motivo. O amor é simplesmente o amor.” (tirada do livro O Preço de Ser Diferente)
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Hoje eu estava com uma blusa toda florida e cheia de botões. E não é que os botões começaram a conversar? Olhe só:
Botão 1:
- hoje eu queria que você me deixasse bem longe da minha casinha.
Eu:
- tudo bem, sem problemas, agora mesmo...
Botão 2:
- já eu posso ficar bem grudadinho na minha casinha, mas queria uns dedinhos diferentes tocando em mim logo mais...
Eu
- (fiquei em silêncio, não sabia o que responder).
Botão 3:
- ôouu! acho que o Botão 2 falou alguma besteira.
Botão 4:
- nada disso, eu também bem que queria uns dedinhos diferentes tocando em mim...
Botão 5:
- Deixem de assanhamentos!!! Eu que sempre sou deixado por último posso boicotar vocês, agarrar na minha casinha, ficar bem agarradinho nela e só largar daqui quando algum conjunto de dedinhos me convencer que eu vou sempre ser tocado, girado e desgarrado em primeiro lugar.
domingo, 19 de agosto de 2007
Em 1816, contam por aí, um homem cheio de virtudes trocou o sonho de um grande amor por um conto de réis. Tinham prometido a ele que com o dinheiro ele teria tranqüilidade pro resto da vida. Ao seu lado, havia uma mulher sem muitos atrativos, porém calma e herdeira de um senhor cheio de contos de réis. Do outro lado da cidadela, morava a mulher dos seus sonhos: bonita, delicada, sábia, sexy e adorada por todo o lugarejo onde ela vivia. Ele adorava a voz, o sorriso, o cheiro, o caminhado, o jeito como ela tocava os talheres, o olhar, a forma como ela tratava as pessoas, e ficava impressionado como ela era capaz de fazê-lo se sentir feliz antes, durante e depois... Porém, ele teve medo. E passou a acreditar fielmente no que tinham prometido a ele. Passou alguns dias pensando, pensando... e decidiu: ia ficar com o conto de réis, garantido pela moça filha de um homem rico da cidadela onde moravam. Os dois ficaram noivos, casaram, tiveram dias felizes, mas logo nos primeiros meses do casamento veio o arrependimento. Mas uma de suas grandes virtudes era ser um homem de palavra firme, então não poderia voltar atrás. Além disso, não teria coragem de magoar a esposa. Mesmo sem trocarem palavras, a mulher do outro lado da cidadela sentia toda a angústia do seu amado, mas ela não teve tempo de dizer a ele que só ao lado dela ele teria a força e a coragem que seriam necessárias caso um dia ele quisesse voltar atrás.
Por quê? Por quê? Por quê? Por que a vida é tão cheia de porquês? Porque sem porque não têm porquês. O bom é saber que em algum lugar há uns porquêzinhos ou porquêzões. Porque não tem graça ser feliz sem por quê. Porque tudo fica lindo quando há aqueeele por quê... E aquele por quê tem um sorriso tão lindo, digno de encher os olhos de porquês... E eu que nunca vi um porquê me fazer tão feliz...
sábado, 18 de agosto de 2007
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Observo mulheres a minha volta e vejo o quanto elas são fortes e especiais. Umas marcam cerrado nos maridos. Outras morrem de ciúmes dos namorados. Umas os deixam completamente à vontade. Estas confiam no amor que sentem e acreditam que são verdadeiramente amadas. Algumas são mulheres “feminilescamente” amélias, outrora sedutoras, sexys, carinhosas, amigas ou donas da direção. Algumas vezes, fazem tudo o que seus homens querem. E deixam seus homens fazerem tudo o que querem delas. Tudo por amor. Tudo, porque o amor não tem medida, nem peso, nem tamanho. Amam os seus homens com todas as suas forças, mesmo depois de anos de casamento. Eles se sentem felizes ao lado delas, e alguns fazem juras de amor eterno. Quando suas mulheres esfriam, eles remam como os irmãos Grael. A maioria acha que o remédio para qualquer cara feia é fazer tudo que a mulher quer. Sobre essa máxima, ora elas acreditam, e ora elas apenas fingem. E eles nem percebem o quanto elas são capazes de enxergar os seus âmagos e de permanecerem silenciosas. Amélias? Sábias? Ou o quê? As boas atrizes passam dias sorrindo. As que não suportam qualquer tipo de simulação trancam os ferrolhos de suas janelas, colocam os cadeados nas portas e escondem bem escondidinhas as chaves. Os corações ficam feitos rochas diante dos seus homens. E eles, silenciosa ou escancaradamente, se desparafusam. Mas aí a generosidade abre as portas para o perdão. Nos intervalos de abres e fechas, homens fazem promessas: traição nunca mais! Mas, volta e meia, acabam se rebaixando à sensualidade de outra mulher. E, infelizmente, acabam perdendo valiosos pontos para a entrada em um mundo mais feliz. Uns se enchem de culpas. Outros acham que é coisa de homem. Ambos acreditam que não podem mudar. Homens especialíssimos, elegantes, ou simplesmente bons. Homens que são exemplos. Homens com cara de santos. Homens-anjos. Homens sábios. Apaixonados. Vi vários desses. Por uns apostei todas as fichas. E, bingo! não ganhei uma. Mas, um amigo, com cara de anjo, me encheu de esperanças, contou a história de um homem que verdadeiramente vale a pena para a sua mulher. E eu, que tenho que honrar a classe das amélias, tenho obrigação de acreditar.
domingo, 12 de agosto de 2007
eu não sei o que fazer com o tempo, então às vezes não faço nada.
parada, silêncio, não ouço nem falo, não me mexo nem mexo.
também não sei pra que inventaram aquilo redondo com aqueles números...
às vezes, gente que também não sabe o que fazer com o tempo faz uns negócios daquele quadrados.
já vi uns deles em paredes.
em cima de redes eu nunca vi... ainda bem, assim fica mais fácil dormir.
não sei se me desligo de todos os mundos
ou se deixo um dos mundos se ligar em mim
não sei se relaxo
ou se faço o meu mundo penetrar em mim.
sábado, 11 de agosto de 2007
Quero ter uma fazenda
E cavalos. Muitos cavalos
Quero viajar sem dia pra voltar
Quero ajudar os pobres a levantar
Quero conhecer o mundo, os povos
As sensações de dor e felicidade
Quero sentir orgasmo
Quero amar, ser amada
Quero poder enxergar as pessoas
e não apenas o meu próprio umbigo
Quero me divertir
Fazer o meu amor rir
Quero sentir o suor do seu corpo cair sobre mim
Quero lhe ouvir chorar
Chorar de amor
Quero sentir o brilho dos seus olhos penetrar a minha alma
Não quero sentir arder o meu fígado!
Vontade de vestir
Vestido mulher
Vestido de beijo
Vestido de vento
Vestido de abraço
vestido de laço
Viro de lado
Ele me olha engraçado
E eu digo não
Digo não
Digo sim
E ele diz que quer um pedaço de mim
Mas o meu vestido eu não tiro não
Ele sorri
Diz que tem dó de mim
E eu não resisto não
O meu vestido ele tira
E com vergonha eu não fico não
Diz que não vai me esquecer
Que quer me entender
Mas eu digo não
Quer comigo viver
Pra todo dia ver
O meu vestido no chão
Mas eu digo não
Mas eu digo não
Mas eu digo não
De vestido ele adora
E eu que dou bola
Pra tanto tesão
Queria esquecer
Mas dele eu não posso não
Ô, senhorita Incerteza! Ô, senhorita Dúvida! Por que vocês existem? Desculpem o meu egoísmo, mas por que vocês não me deixam em paz com o meu amor? Ah, tá... então querem que eu acredite que vocês são importantes??? Logo vocês, madame Incerteza e madame Dúvida, que não têm certeza de nada, querem que eu, Senhorita Firmeza, acredite nessa bobagem toda?
Hoje sem motivo nenhum decidi desmarcar a minha aula de Inglês... Mas, ora bolas, por que o espanto? Estou de férias e férias são férias... Quero fazer tudo que me der prazer, tudo que me der sede de viver, tudo que me der fome de ser, tudo que não me deixar parar de rir, tudo que me arrepiar, tudo que não me cansar, tudo que me fizer delirar, tudo tudo tudo que me der tudo, tudo que me tocar a língua, tudo que me beijar o cabelo, tudo que me cheirar a nuca, tudo que me apreciar por inteiro, tudo que não seja normal ou igual, tudo que me der desejo, tudo que me der vontade, vontade de querer mais, e mais e mais e mais... não quero saber de contar, nem quero saber de pensar, nem quero saber de calcular, nem de raciocinar... nesse mês não quero olhar pro relógio, nem pra carteira, nem pro amanhã... nesse mês eu só quero viver...
Escrito em junho de 2007.
























