quinta-feira, 11 de junho de 2009

Sobre coisas que valem a pena
Ontem recebi um email seguido de um texto sobre as sensações de um estudante de Jornalismo (da Uespi), Raoni Barbosa, sobre uma certa visita que ele e um grupo de outros universitários fizeram ao Instituto GAV, uma ONG da Vila Bandeirantes, que presto contribuições. Adorei o texto. É que às vezes a gente é tão pequeno, tão cego diante do que realmente importa na vida, que a gente perde tempo sentindo dor. Tudo bem que às vezes não tem como a gente fugir dela, mas acontece que muitas vezes a gente fica é correndo atrás da danada. O certo é que tem um monte de meios da gente se afastar dela, mesmo que seja se aproximando. Ta meio confuso, né? Acontece que ser forte não é pra qualquer um. Com maestria, chegar perto da dor e da alegria do outro também não é pra qualquer um. O certo também é que dá sim pra suavizar dores de verdade, que machucam de verdade, pra valer, sabe? E o texto abaixo trata um pouco disso, desse caminho meio doloroso, mas suave e verdadeiro de se chegar bem pertinho da bicha, da danada de boa felicidade.

Eis o email:

Olá Flávia Rocha, boa noite

Tudo bom? Bem... Dia desses estava lembrando da visita à ONG Grupo de Amigos da Vida no período do Intercom Nordeste... Fiquei super grato pela oportunidade que você colocou à nossa disposição de conhecer aquela ONG de trabalhar exemplar de formação cidadã prestada com sua ajuda também... Senti-me agraciado de ver uma outra realidade nada distante de onde vivemos e trabalhamos.

Metaforicamente, A Cidadania chegou no lugar e se estabeleceu mesmo por lá. E toda essa aprendizagem me fez pensar e refletir sobre o potencial que qualquer pessoa pode ter quando se é assistido e instigado a mostrar o que tem de melhor...

E a resposta a esse pensar e refletir para mim veio na forma de texto. Depois que fiz e publiquei no blog fiquei na vontade de mandar esse trabalho para você, já que trabalhas diretamente também com a galera lá, e para o diretor da ONG Miranda Neto. Simples, objetivo e de coração, o texto feito fica como homenagem ao pessoal de lá. Se puder, repasse pro pessoal também lá.

ONG/GAV mostra tua cidadania!

Que ventos lhe trouxe até aqui, caro cidadão? O mesmo que carrega pessoas de boa índole em busca de refúgio das mazelas cotidianas em que 'Cidadania' é o ar que permea por aquela atmosfera simples e exemplar: o Instituto Grupo de Amigos da Vida(GAV). Mas antes de entrar, 'bata os pés' e deixe toda sua impureza para trás, pois o que vem à frente é só lição de vida.

Assim que entrei na ONG lembrei um pouco da minha infância: crianças uniformizadas andando pra todo lado conversando, brincando e sorrindo. Era a hora do recreio, melhor dizendo, do almoço. Toda criança nessa hora não se segura mais: fica louca pra comer com a s ua galera, encher a 'barriga'. É uma alegria só.

Depois de minutinhos de descanso, é hora de estudar! Professores voluntários estão chegando e agora é sentar nas carteiras e 'devorar' conhecimento. Quando o mestre chega a educação se levanta e diz 'boa tarde', e se ainda quiser, a turma arrisca um 'bon jour', um 'buenas tardes'... - pois no cronograma da escola/ONG há aulas de língua, além das matérias principais vistas em qualquer escola por ai. Ah, só lembrando: esse Instituto fica em Teresina(PI) mesmo!

Imagine aí mais de 600 crianças circulando e divididas em turnos diferentes do dia... Todas assistidas de forma igual e bem. A relação entre todas é impactante: uns são irmãos dos outros, e vice-versa numa alegria só. O pátio, onde ocorre a troca de afetividade entre elas, tem dois mastros com bandeiras do Brasil e do Piauí. Tremulando de forma vívida, elas parecem passar a seguinte mensagem: "Olhem por nós também. Temos o mesmo sangue brasileiro que vem da mesma raça, cor e crédulo...".

Para poder 'abraçar' tanta criança assim imagina-se que a escola, naturalmente, tenha boa condição estrutural, né verdade? Sim, porém não acontecia até se criar a força de vontade advinda de forças próprias da própria galerinha que por lá estuda e vive - Incrível isso! Então, poderia até colocar em voga o problema estrutural da Escola, mas prefiro sensacionalizar essa história com as muitas mãos voluntárias que puderam proporcionar dias melhores para aquelas crianças. Foi de "tijolo em tijolo" mesmo, como explicou seu Miranda Neto (chefe do G.A.V), que a escola criou teto e virou Lar. O destino, literalmente, pôs esse cara na vida dessa galerinha. Se é sonho, então que se realize! Com certeza, devem ser muitos.

E a cada novo dia, crianças tem seus sonhos renovados. O foco é o mesmo. Todas 'treinadas' para que suas atitudes sejam certeiras para as conquistas futuras. Mesmo expostos à realidade fora dos muros da ONG, a formação daquelas crianças parecem 'blindar' de mau-olhados que querem destruir seus sonhos.

Para mim toda lição anotada na mente e no coração entre aqueles quatro muros 'blindados' de amor, compreensão, perseverança e muita fé não pode ser perdida de vista. É exercício diário, árduo, mas gratificante. "Vocês[jornalistas] devem multiplicar essa idéia... Muitos são críticos, mas poucos são sensíveis pra fazer isso", finaliza chefe Miranda convocando a sociedade para essa missão.

De lição aprendida e refletida, a sociedade, de bom agrado, poderá encher o peito e bater continência respondendo: "Sim, senhor!"

(Por Raoni Barbosa)

Um comentário:

Rao disse...

Oi Flávia,

Tava vendo seu blog e vi o texto que lhe mandei. Poxa, obrigado por essa 'resposta'. Belas palavras as suas no começo.

Beijo e às ordens,