Adeus, Lênin!
esse filme está na minha lista dos 100 filmes que você não pode deixar de assistir antes de morrer.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
SER FELIZ É...
1) Tomar banho no quintal, com uma água forte, sem chuviscos, que sai de dentro das plantas verdinhas com cheiro intenso de natureza
2) Não programar e deixar acontecer
3) Dar carona, mudando completamente seu percurso, só pra compartilhar o que você sozinha não conseguiria ter
4) Bater o carro e sair como se nada tivesse acontecido porque você tem coisas muito maiores pra se preocupar
5) Trocar intimidades com sua melhor amiga. E bolar de rir porque ninguém pode saber o que vocês duas pensam. Mas se souberem, é pá-pum: a gente diz na lata, porque a gente não tá nem aí pra nada. Ora mais!
6) Sentar com sua melhor amiga e montar a agenda de aventuras de 2009 e saber que tudo pode ser completamente alterado de acordo com a nossa telha. É que nela (na telha) todo dia dá uma coisa diferente, sabe?
7) Acordar às 5 da manhã e saber que tem um paizinho de pé preparando uma mesa especial, só pra você sair bem alimentada de casa. E não adianta reclamar porque ele adora fazer isso
8) Chegar achando que está cheia de problemas e ser recebida em casa por uma fofura de 3 anos, aos abraços, beijos, sorrisos, lhe agarrando pelas pernas e dizendo que nunca mais deixará você partir
9) Ser beijada no rosto até o infinito pela menininha de 10 anos mais linda do mundo
10) Saber que sua mãe está viajando, porque ela está sorrindo e se divertindo pra valer por aí
11) Se sentir viva e cheia de vontade de começar tudo de novo
12) Passar uma manhã de folga descobrindo seu sobrinho de 7 anos
13) Dizer para o seu irmão o quanto ele merece ter conseguido comprar o carro zero dos sonhos da vida dele
14) Passar na locadora e alugar um monte de filmes, todos que estavam na sua lista de espera há muito tempo
15) Fazer alguém arder de felicidade porque “praquele” alguém você é de fato importante
16) Fazer aquelas coisas de dar água na boca, sem culpa, com quem sabe bem direitinho deixar você rindo à toa
17) Saber que essa lista não tem dia pra terminar. E se um dia você achar que eu acabei, pode botar uma placa no meu túmulo: “eu fui feliz e podem ir pra suas casas sem se preocupar porque vou ficar bem”
18) Escrever essas linhas e saber que pelo menos alguém se sentirá mais feliz por isso.
1) Tomar banho no quintal, com uma água forte, sem chuviscos, que sai de dentro das plantas verdinhas com cheiro intenso de natureza
2) Não programar e deixar acontecer
3) Dar carona, mudando completamente seu percurso, só pra compartilhar o que você sozinha não conseguiria ter
4) Bater o carro e sair como se nada tivesse acontecido porque você tem coisas muito maiores pra se preocupar
5) Trocar intimidades com sua melhor amiga. E bolar de rir porque ninguém pode saber o que vocês duas pensam. Mas se souberem, é pá-pum: a gente diz na lata, porque a gente não tá nem aí pra nada. Ora mais!
6) Sentar com sua melhor amiga e montar a agenda de aventuras de 2009 e saber que tudo pode ser completamente alterado de acordo com a nossa telha. É que nela (na telha) todo dia dá uma coisa diferente, sabe?
7) Acordar às 5 da manhã e saber que tem um paizinho de pé preparando uma mesa especial, só pra você sair bem alimentada de casa. E não adianta reclamar porque ele adora fazer isso
8) Chegar achando que está cheia de problemas e ser recebida em casa por uma fofura de 3 anos, aos abraços, beijos, sorrisos, lhe agarrando pelas pernas e dizendo que nunca mais deixará você partir
9) Ser beijada no rosto até o infinito pela menininha de 10 anos mais linda do mundo
10) Saber que sua mãe está viajando, porque ela está sorrindo e se divertindo pra valer por aí
11) Se sentir viva e cheia de vontade de começar tudo de novo
12) Passar uma manhã de folga descobrindo seu sobrinho de 7 anos
13) Dizer para o seu irmão o quanto ele merece ter conseguido comprar o carro zero dos sonhos da vida dele
14) Passar na locadora e alugar um monte de filmes, todos que estavam na sua lista de espera há muito tempo
15) Fazer alguém arder de felicidade porque “praquele” alguém você é de fato importante
16) Fazer aquelas coisas de dar água na boca, sem culpa, com quem sabe bem direitinho deixar você rindo à toa
17) Saber que essa lista não tem dia pra terminar. E se um dia você achar que eu acabei, pode botar uma placa no meu túmulo: “eu fui feliz e podem ir pra suas casas sem se preocupar porque vou ficar bem”
18) Escrever essas linhas e saber que pelo menos alguém se sentirá mais feliz por isso.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Eu e o NX Zero
Na realidade, o melhor título seria “meu amigo e o NX Zero”. O nome do meu amigo? Melhor não! O sim é que resultou numa comédia encontrar os emos do “NX” almoçando na BR-343, na saída de Teresina. Primeiro, aquele monte de tatuagem desceu do ônibus, sem nenhuma lembrança de riso no rosto. Depois, aquele monte de homem sentou numa mesa bem grande, ao lado da nossa.
Fiquei curiosa pra saber o que era aquilo. A gente nem imaginava. Meu amigo gosta de jazz, rock clássico, piano, violão e coisas de um romântico tradicional e um rebelde da década de 80.
Conversa vai, conversa vem... calabresa, maminha, carne sol, picanha, coração vieram também, e a gente acabou esquecendo de olhar direito pros nossos ilustres desconhecidos.
Chegou a hora de ir, mas caía uma chuva fortíssima. Mudamos de lugar. No percurso de uma mesa a outra, toques de cotovelo sobre minha simples pessoa, segundo observou my friend. Vou nem comentar. Mas em branco, em branco, assim, tinha nem graça passar. E gostei, claro, por que não?
Minutos depois, a conta. Levantamos e meu amigo fez a primeira pergunta um tanto ridícula da tarde. Se bem que é Carnaval, alguma coisa ridícula a mais não faz diferença.
– Vocês são de alguma banda?
- Somos.
- Éeeee??? Como é o nome?
(parecia aqueles turistas abobalhados. Mas caaaalma: tudo acabou tendo um propósito)
- NX Zero.
- Como?
- NX Zero.
- E vocês tocam o que?
(a prezepada começava a ficar mais divertida)
- Rock (com um ar de quem dizia: vou dizer só rock logo porque se eu for dizer emocore aí já viu...haja explicação pra esse nerd!)
- E vocês vão tocar no Festival de Jazz?
(não, não... ele não perguntou isso!!!
- Hãnnnn?
- Vocês vão tocar em Barra Grande?
- Onde é mesmo que a gente vai tocar? Como é nome da cidade mesmo?
Um colega lá do meio da mesa ajudou: - ...Parnaíba!
Tudo bem que o carinha da banda não era obrigado a saber onde eles iam tocar, mas aquele tom meio de descaso com a nossa Parnaíba (e com uma pessoa aparentemente tola que estava ali cheia de dúvida) deu um aperto no meu estômago tão grande que cada pergunta idiota do meu amigo se tornaram as perguntas mais merecedoras do carnaval da turma do Di Ferrero.
Na realidade, o melhor título seria “meu amigo e o NX Zero”. O nome do meu amigo? Melhor não! O sim é que resultou numa comédia encontrar os emos do “NX” almoçando na BR-343, na saída de Teresina. Primeiro, aquele monte de tatuagem desceu do ônibus, sem nenhuma lembrança de riso no rosto. Depois, aquele monte de homem sentou numa mesa bem grande, ao lado da nossa.
Fiquei curiosa pra saber o que era aquilo. A gente nem imaginava. Meu amigo gosta de jazz, rock clássico, piano, violão e coisas de um romântico tradicional e um rebelde da década de 80.
Conversa vai, conversa vem... calabresa, maminha, carne sol, picanha, coração vieram também, e a gente acabou esquecendo de olhar direito pros nossos ilustres desconhecidos.
Chegou a hora de ir, mas caía uma chuva fortíssima. Mudamos de lugar. No percurso de uma mesa a outra, toques de cotovelo sobre minha simples pessoa, segundo observou my friend. Vou nem comentar. Mas em branco, em branco, assim, tinha nem graça passar. E gostei, claro, por que não?
Minutos depois, a conta. Levantamos e meu amigo fez a primeira pergunta um tanto ridícula da tarde. Se bem que é Carnaval, alguma coisa ridícula a mais não faz diferença.
– Vocês são de alguma banda?
- Somos.
- Éeeee??? Como é o nome?
(parecia aqueles turistas abobalhados. Mas caaaalma: tudo acabou tendo um propósito)
- NX Zero.
- Como?
- NX Zero.
- E vocês tocam o que?
(a prezepada começava a ficar mais divertida)
- Rock (com um ar de quem dizia: vou dizer só rock logo porque se eu for dizer emocore aí já viu...haja explicação pra esse nerd!)
- E vocês vão tocar no Festival de Jazz?
(não, não... ele não perguntou isso!!!
Mas caaaalma... essa pergunta foi excelente)
- Hãnnnn?
- Vocês vão tocar em Barra Grande?
- Onde é mesmo que a gente vai tocar? Como é nome da cidade mesmo?
Um colega lá do meio da mesa ajudou: - ...Parnaíba!
Tudo bem que o carinha da banda não era obrigado a saber onde eles iam tocar, mas aquele tom meio de descaso com a nossa Parnaíba (e com uma pessoa aparentemente tola que estava ali cheia de dúvida) deu um aperto no meu estômago tão grande que cada pergunta idiota do meu amigo se tornaram as perguntas mais merecedoras do carnaval da turma do Di Ferrero.
P.S.: mas também quem é que já se viu banda emo tomando lugar das marchinhas?
domingo, 15 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Minha Herança: uma Flor (Vanessa da Mata)
Achei você no meu jardim
Entristecido
Coração partido
Bichinho arredio
Peguei você pra mim
Como a um bandido
Cheio de vícios
E fiz assim, fiz assim
Reguei com tanta paciência
Podei as dores, as mágoas, doenças
Que nem as folhas secas vão embora
Eu trabalhei
Fiz tudo, todo meu destino
Eu dividi, ensinei de pouquinho
Gostar de si, ter esperança e persistência
Sempre
A minha herança pra você
É uma flor com um sino, uma canção
Um sonho, nem uma arma ou uma pedra
Eu deixarei
A minha herança pra você
É o amor capaz de fazê-lo tranqüilo
Pleno, reconhecendo o mundo
O que há em si
E hoje nos lembramos
Sem nenhuma tristeza
Dos foras que a vida nos deu
Ela com certeza estava juntando
Você e eu(2x)
Achei você no meu jardim
Obs. do blog: tem que ouvir pra sentir. E eu tenho ouvido tanto.
sábado, 10 de janeiro de 2009
Ponto
Não é bem felicidade. É diferente. Mais que isso. Ou menos. Ou igual. Não importa agora. O bom é que é bom. Muito bom. Bom demais da conta. Mas é uma coisa leve, levíssima, sem atropelos. Tão retilínea, tão nossa. Ninguém sabia que isso ia acontecer assim, assim desse jeito, com esse encaixe. Normal que acontecesse. É que a nossa singularidade é o nosso ponto de inseparação. Mas, agora, o melhor é ficar em silêncio.
Não é bem felicidade. É diferente. Mais que isso. Ou menos. Ou igual. Não importa agora. O bom é que é bom. Muito bom. Bom demais da conta. Mas é uma coisa leve, levíssima, sem atropelos. Tão retilínea, tão nossa. Ninguém sabia que isso ia acontecer assim, assim desse jeito, com esse encaixe. Normal que acontecesse. É que a nossa singularidade é o nosso ponto de inseparação. Mas, agora, o melhor é ficar em silêncio.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Conversa entre borboletas
Duas borboletas se reencontram depois de vários meses de separação:
- Ué, cadê a sua outra asa?
- Não sei, eu perdi, desde a última vez que lhe vi.
A borboleta fêmea, preocupada com o macho sem uma das asas:
-Vem cá, e quem estava lhe orientando nesse tempo todo?
-Ué, borboletas amigas que eu ia encontrando pelos jardins...
-Pelo visto suas amigas mal conhecem as palavras...
-Ué, mas eu cheguei até aqui, não cheguei?
-Chegou, mas você não tem idéia em quantas flores eu sozinha posei.
O macho respira pensativo.
E a fêmea muda rapidamente:
Duas borboletas se reencontram depois de vários meses de separação:
- Ué, cadê a sua outra asa?
- Não sei, eu perdi, desde a última vez que lhe vi.
A borboleta fêmea, preocupada com o macho sem uma das asas:
-Vem cá, e quem estava lhe orientando nesse tempo todo?
-Ué, borboletas amigas que eu ia encontrando pelos jardins...
-Pelo visto suas amigas mal conhecem as palavras...
-Ué, mas eu cheguei até aqui, não cheguei?
-Chegou, mas você não tem idéia em quantas flores eu sozinha posei.
E a fêmea muda rapidamente:
-Mas vem cá logo, homem, que eu tenho que devolver sua asa.
domingo, 12 de outubro de 2008
Conjugação do verbo fazer (falta)
Eu faço
Tu fazes
Nós fazemos
Conjugação do verbo matar (saudade)
Eu mato
Tu matas
Nós matamos
Conjugação do verbo responsabilizar
Eu não me responsabilizo
Tu não se responsabiliza
Nós não nos responsabilizamos
Conjugação do verbo resolver (nosso problema)
Eu resolvo
Tu resolves
Nós resolvemos
Conjugação do verbo levar (a sério)
Eu não levo
Tu não levas
Nós não levamos
Sobre o verbo prender
Eu faço
Tu fazes
Nós fazemos
Conjugação do verbo matar (saudade)
Eu mato
Tu matas
Nós matamos
Conjugação do verbo responsabilizar
Eu não me responsabilizo
Tu não se responsabiliza
Nós não nos responsabilizamos
Conjugação do verbo resolver (nosso problema)
Eu resolvo
Tu resolves
Nós resolvemos
Conjugação do verbo levar (a sério)
Eu não levo
Tu não levas
Nós não levamos
Sobre o verbo prender
Ninguém prende o que é meu porque o que é meu eu só empresto porque o que é meu se prendeu em mim desde o dia que me viu e me desamarrou e me desvendou e me desclausurou e arrancou todos os meus cadeados, um por um, e desde esse dia nem eu nem ele nunca mais quer ver o sol nascer quadrado.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Quelqu'un M'a Dit(Carla Bruni)
On me dit que nos vies ne valent pas grand-chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses,
On me dit que le temps qui glisse est un salaud,
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux.
Pourtant quelqu'un m'a dit que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore,
Serais ce possible alors ? (refrain)
On me dit que le destin se moque bien de nous,
Qu'il ne nous donne rien, et qu'il nous promet tout,
Paraît que le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou.
Pourtant quelqu'un m'a dit...
Mais qui est-ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus, c'était tard dans la nuit,
J'entends encore la voix, mais je ne vois plus les
traits, "Il vous aime, c'est secret, ne lui dites pas
que je vous l'ai dit."
Tu vois, quelqu'un m'a dit que tu m'aimais encore,
Me l'a t'on vraiment dit que tu m'aimais encore,
Serait-ce possible alors ?
On me dit que nos vies ne valent pas grand-chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses,
On me dit que le temps qui glisse est un salaud,
Et que de nos tristesses il s'en fait des manteaux.
Pourtant quelqu'un m'a dit...
Elles passent en un instant comme fanent les roses,
On me dit que le temps qui glisse est un salaud,
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux.
Pourtant quelqu'un m'a dit que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore,
Serais ce possible alors ? (refrain)
On me dit que le destin se moque bien de nous,
Qu'il ne nous donne rien, et qu'il nous promet tout,
Paraît que le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou.
Pourtant quelqu'un m'a dit...
Mais qui est-ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus, c'était tard dans la nuit,
J'entends encore la voix, mais je ne vois plus les
traits, "Il vous aime, c'est secret, ne lui dites pas
que je vous l'ai dit."
Tu vois, quelqu'un m'a dit que tu m'aimais encore,
Me l'a t'on vraiment dit que tu m'aimais encore,
Serait-ce possible alors ?
On me dit que nos vies ne valent pas grand-chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses,
On me dit que le temps qui glisse est un salaud,
Et que de nos tristesses il s'en fait des manteaux.
Pourtant quelqu'un m'a dit...
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Sonho
(Atenção: quem tem medo não deve ler. E quem começar a ler tem que ler até o final.)
Hoje (14/09/2008), às 23 horas, tive um sonho. Digo: pesadelo. Uma “alma” chegava e dizia: “Você não quer morrer? Então, você vai morrer agoooora!”Aí, outra “alma”, preta e bem grande, aparecia do lado esquerdo da minha cama, como se tivesse colocando alguma coisa dentro do meu coração. Ela (digo: essa alma preta) era meio violenta, ficava meio que dizendo desaforada: “Você vai agoooora e não tem mais jeito!”. Os seus movimentos eram rápidos como quem estava furioso comigo. Eu tentava gritar. Botava todas as minhas forças, explodindo ininterruptos e esperançosos “Mãaaaaaaaaaaae, me ajude... Mãaaaaaaaaaae!!!” Mas a voz não saía, eu percebia que não saía e me desesperava. Porém, eu não tinha desistido de lutar contra a tal alma preta, isso via pensamento porque ela me deixou imobilizada: “Mas você não tem motivo pra me levar. Fui dormir boazinha. Que desculpa vocês vão inventar pra dizer que eu morri?” Assim parece que “ela” desistiu. Saiu. Mas me disse (não sei como porque ninguém falava com a voz): “Pois vou providenciar essa desculpa ‘amanhã’ ou nos ‘próximos dias’”. Ponto final. Acordei apavorada, com a ameaça. Quis ir correndo pro quarto dos meus pais. Aí, um dos meus “eus” perguntou: “E desde quando você tem medo de ‘alma’?” Eu sorri. E virei pra dormir de novo.
Minutos depois...
Lembrei de anotar o sonho. Registrei (como você está vendo). Nesse intervalo veio a intuição de que morrer não é nada bom quando ainda não se é um anjo. Parece que foi um alerta. Sempre intuí que iria para outra vida cedo. Achava ótimo isso porque ia ganhar de presente um tipo de estágio de evolução mais avançado. Mas me pareceu que as coisas não são bem assim. Nesse campo, não há privilegiados. Por isso, me pareceu também que a gente deve ser minucioso em cada detalhe das nossas ações. Valeu o recado!
Hoje (14/09/2008), às 23 horas, tive um sonho. Digo: pesadelo. Uma “alma” chegava e dizia: “Você não quer morrer? Então, você vai morrer agoooora!”Aí, outra “alma”, preta e bem grande, aparecia do lado esquerdo da minha cama, como se tivesse colocando alguma coisa dentro do meu coração. Ela (digo: essa alma preta) era meio violenta, ficava meio que dizendo desaforada: “Você vai agoooora e não tem mais jeito!”. Os seus movimentos eram rápidos como quem estava furioso comigo. Eu tentava gritar. Botava todas as minhas forças, explodindo ininterruptos e esperançosos “Mãaaaaaaaaaaae, me ajude... Mãaaaaaaaaaae!!!” Mas a voz não saía, eu percebia que não saía e me desesperava. Porém, eu não tinha desistido de lutar contra a tal alma preta, isso via pensamento porque ela me deixou imobilizada: “Mas você não tem motivo pra me levar. Fui dormir boazinha. Que desculpa vocês vão inventar pra dizer que eu morri?” Assim parece que “ela” desistiu. Saiu. Mas me disse (não sei como porque ninguém falava com a voz): “Pois vou providenciar essa desculpa ‘amanhã’ ou nos ‘próximos dias’”. Ponto final. Acordei apavorada, com a ameaça. Quis ir correndo pro quarto dos meus pais. Aí, um dos meus “eus” perguntou: “E desde quando você tem medo de ‘alma’?” Eu sorri. E virei pra dormir de novo.
Minutos depois...
Lembrei de anotar o sonho. Registrei (como você está vendo). Nesse intervalo veio a intuição de que morrer não é nada bom quando ainda não se é um anjo. Parece que foi um alerta. Sempre intuí que iria para outra vida cedo. Achava ótimo isso porque ia ganhar de presente um tipo de estágio de evolução mais avançado. Mas me pareceu que as coisas não são bem assim. Nesse campo, não há privilegiados. Por isso, me pareceu também que a gente deve ser minucioso em cada detalhe das nossas ações. Valeu o recado!
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Deixa eu te conduzir...
É assim: primeiro, não precisa olhar pro chão. Feche os olhos, ponha o calcanhar direito na frente do dedão esquerdo, agora, deixe as asas em posição de decolagem. Nesse instante, não sinta medo, estou aqui, bem atrás de você. Agora, acho que já está pronto, bote o calcanhar esquerdo na frente do dedão direito. Vou vendar os seus olhos, pra não precisar se preocupar com eles. Esqueça tudo. Você pode fazer leves movimentos com a cabeça, descendo e subindo o nariz, só pra sentir o aroma da sala. Pode fazer pequenas ondas com a cabeça enquanto respira. Pode até virar pros lados, se quiser. Estou a um centímetro atrás de você. Minhas asas também estão em posição de vôo, mas não posso tocar em nada. Estou sentindo o cheiro da sua entreasas, mas não vou triscar nem a ponta do meu nariz. Agora, vou ficar aqui, parada. Você, bem de leve, vai trocar as pernas. Se der tudo certo nesse passo, pode partir pro seguinte. Sozinho. A cada passo perfeito, o som da minha voz vai se encaixotando...
(zero vírgula um segundo depois)
...O ar está ficando abafado. Não consigo mais ouvir o seu pé descolar do chão. Agora, eu vou dar um giro, bater minhas asas bem de mansinho. Se a gente quiser voltar pra esse lugar, essa sala abarrotada de coisas nossas, acho que você não vai mais se perder no caminho.
É assim: primeiro, não precisa olhar pro chão. Feche os olhos, ponha o calcanhar direito na frente do dedão esquerdo, agora, deixe as asas em posição de decolagem. Nesse instante, não sinta medo, estou aqui, bem atrás de você. Agora, acho que já está pronto, bote o calcanhar esquerdo na frente do dedão direito. Vou vendar os seus olhos, pra não precisar se preocupar com eles. Esqueça tudo. Você pode fazer leves movimentos com a cabeça, descendo e subindo o nariz, só pra sentir o aroma da sala. Pode fazer pequenas ondas com a cabeça enquanto respira. Pode até virar pros lados, se quiser. Estou a um centímetro atrás de você. Minhas asas também estão em posição de vôo, mas não posso tocar em nada. Estou sentindo o cheiro da sua entreasas, mas não vou triscar nem a ponta do meu nariz. Agora, vou ficar aqui, parada. Você, bem de leve, vai trocar as pernas. Se der tudo certo nesse passo, pode partir pro seguinte. Sozinho. A cada passo perfeito, o som da minha voz vai se encaixotando...
(zero vírgula um segundo depois)
...O ar está ficando abafado. Não consigo mais ouvir o seu pé descolar do chão. Agora, eu vou dar um giro, bater minhas asas bem de mansinho. Se a gente quiser voltar pra esse lugar, essa sala abarrotada de coisas nossas, acho que você não vai mais se perder no caminho.
domingo, 7 de setembro de 2008
Belle Justie recebeu uma carta
“Belle, meu amor, sinto daqui que ainda és minha. Sinto teu cabelo aveludado. O teu perfume me inebria. Meu olhar fica em fúria, desesperado sem o teu toque. Tremo até a alma por ti. Meu corpo encurva no travesseiro à procura do teu tudo. Fecho os olhos e me arrepio na lembrança dos pêlos dourados tocando de leve meu peito molhado de desejo por ti.
Meus lábios não são mais os mesmos, estão secos, feridos, brigam com os dentes, recordando do teu sopro quente. Devoro-te com as nuvens do teu cheiro, do teu gosto, do teu jeito.
Abandonaste-me tão cedo... Agora, te imploro, desesperadamente, por mais uma vez. Se não doer, peço, humildemente, na postura de servo que sou, para perdoar os meus erros e olhar-me como na primeira vez.
Querida, Belle, te suplico, piedade desse homem arrebatado de loucura por ti. Ajoelharei-me aos teus pés, depois farás tudo que quiseres de mim.”
*Belle Justie é uma personagem criada por mim, Flávia Rocha. Ela é uma espécie de mulher rara na face da Terra.
Belle Justie estava na varanda do apartamento, no 18º andar. Acabara de acender o seu primeiro cigarro. Classuda, vestia camisola de seda vermelha. Despercebida, distribuía charme pro vento. O interfone tocou. Ela pediu que subissem com o envelope.
“Belle, meu amor, sinto daqui que ainda és minha. Sinto teu cabelo aveludado. O teu perfume me inebria. Meu olhar fica em fúria, desesperado sem o teu toque. Tremo até a alma por ti. Meu corpo encurva no travesseiro à procura do teu tudo. Fecho os olhos e me arrepio na lembrança dos pêlos dourados tocando de leve meu peito molhado de desejo por ti.
Meus lábios não são mais os mesmos, estão secos, feridos, brigam com os dentes, recordando do teu sopro quente. Devoro-te com as nuvens do teu cheiro, do teu gosto, do teu jeito.
Abandonaste-me tão cedo... Agora, te imploro, desesperadamente, por mais uma vez. Se não doer, peço, humildemente, na postura de servo que sou, para perdoar os meus erros e olhar-me como na primeira vez.
Querida, Belle, te suplico, piedade desse homem arrebatado de loucura por ti. Ajoelharei-me aos teus pés, depois farás tudo que quiseres de mim.”
*Belle Justie é uma personagem criada por mim, Flávia Rocha. Ela é uma espécie de mulher rara na face da Terra.
sábado, 30 de agosto de 2008
Aai...

Você disse Que não sabe "se não" Mas também Não tem certeza que "sim"... Quer saber? Quando é assim Deixa vir do coração Você sabe Que eu só penso em você Você diz Que vive pensando em mim... Pode ser Se é assim Você tem que largar A mão do "não" Soltar essa louca Arder de paixão Não há como doer Prá decidir Só dizer "sim" ou "não" Mas você adora um "se"... Eu levo a sério Mas você disfarça Você me diz à beça E eu nessa de horror E me remete ao frio Que vem lá do sul Insiste em "zero" a "zero" Eu quero "um" a "um"... Sei lá, o que te dá Não quer meu calor São Jorge, por favor Me empresta o dragão Dragão! Mais fácil aprender Japonês em braile Do que você decidir Se dá ou não...Você disse Que não sabe "se não" Mas também Não tem certeza que "sim"... Quer saber? Quando é assim Deixa vir do coraçãoVocê sabe Que eu só penso em você Você diz Que vive pensando em mim... Pode ser Se é assim Você tem que largar A mão do "não" Soltar essa louca Arder de paixão Não há como doer Prá decidir Só dizer "sim" ou "não" Mas você adora um "se"... Eu levo a sério Mas você disfarça Você me diz à beça E eu nessa de horror E me remete ao frio Que vem lá do sul Insiste em zero a zero Eu quero um a um...Sei lá, o que te dá Não quer meu calor São Jorge, por favor Me empresta o dragão Dragão! Mais fácil aprender Japonês em braile Do que você decidir Se dá ou não...
Foto do Djavan: Geórgia Benvindo, no show em Teresina, ontem.
Frase da semana: “Cinema não é sabão em pó”
É de Walter Salles, em entrevista à revista Época desta semana. Para o diretor da principal estréia do cinema brasileiro no segundo semestre (5 de setembro), o filme "Linha de Passe", as produções nacionais deveriam esquecer as bilheterias e se preocupar em retratar o Brasil.
Foto: Daniel Novaes
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
O Retorno de Belle Justie
Belle Justie anda com vontade de explodir
Ela queria comprar um trator
Ela precisa de uma luva de box
Ela finge ficar em silêncio
Mas o olhar dela grita
Ela é um exagero
O sorriso dela é um feitiço
Mas o amor dela anda contido
Só o que importa pra ele agora são coisas que pra ela não fazem mais sentido
Ela só quer ficar descabelada, subir nele e mostrar o que é uma paixão de verdade
Nada frio
Tudo quente, queimando
Ele desistiu dessas coisas que fazem de um homem um homem
E Belle Justie acha que ele andou bebendo alguma coisa.
Belle Justie anda com vontade de explodir
Ela queria comprar um trator
Ela precisa de uma luva de box
Ela finge ficar em silêncio
Mas o olhar dela grita
Ela é um exagero
O sorriso dela é um feitiço
Mas o amor dela anda contido
Só o que importa pra ele agora são coisas que pra ela não fazem mais sentido
Ela só quer ficar descabelada, subir nele e mostrar o que é uma paixão de verdade
Nada frio
Tudo quente, queimando
Ele desistiu dessas coisas que fazem de um homem um homem
E Belle Justie acha que ele andou bebendo alguma coisa.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Preciso saber se dá certo fazer ao contrário
Vejo frases de como as mulheres devem se comportar. São escritores, psicólogos, terapeutas, amigos, irmãos, dizendo o que a gente deve fazer. Esses últimos aí, então, se fosse obedecer, eu nem seria eu.
O meu irmão primogênito tem 30 anos, parece mais velho que o meu pai, com 60. Ele faz o estilo extremamente conservador, já meu pai é moderno, divertido e sabe respeitar profundamente as decisões femininas. Meu pai adora cozinhar e decorar a mesa para as suas mulheres.
O irmão do meio me vê como uma mulher futurista. Ele é um tipo conservador descolado. O olhar dele é como quem diz: “Façam o que quiserem, suas doidas!” A vida fez dele o mais experiente quando o assunto é mulher. Estudou comigo e via minhas sutis extravagâncias desde a adolescência. Hoje ele tem três mulheres... a esposa e as duas filhas. Cada uma mais cheia de virtudes que a outra. É engraçado como esse “pirralho” sabe lidar com elas. E essa mulherada é fascinada por ele, porque ele é manso, beijoqueiro, bagunceiro e é daqueles que nunca diz não pra ninguém.
O psicólogo norte-americano Steven Carter escreveu o livro “Homens gostam de mulheres que gostam de si mesmas" (Ed. Sextante). Não lerei, nem indico, só vou comentar. Até porque ele mesmo disse: “Não se esforce demais para descobrir o que os homens querem. ¹”
Depois, Carter fala: “As mulheres inteligentes sabem quem são e o que têm a oferecer ²”. “Não aceitam nada menos do que merecem ³ e não oferecem nada rápido demais”. Só aí são quatro questões, complexíssimas, apesar de parecerem óbvias.
Quanto à segunda frase, podemos até dizer: “Sei de algumas das minhas qualidades, alguns defeitos, sonhos, fomes, sedes, filmes preferidos, mas, quem sou eu? Alguém assopra aí, por favor! Depois, o que tenho a oferecer? Uma fortuna. Sou herdeira de pais riquíssimos... de adjetivos. No entanto, as coisas que formam a minha herança interessam a quem? A um monte de gente? Mas quem seria tão bom pra dividir?
E quanto ao “não aceitam menos do que merecem”: o que eu mereço? Promessas de paixão eterna? Um namoro com seguro de vida? Ou só uma noite de amor sensível? Tem alguma coisa melhor ou pior aí?
Vejo frases de como as mulheres devem se comportar. São escritores, psicólogos, terapeutas, amigos, irmãos, dizendo o que a gente deve fazer. Esses últimos aí, então, se fosse obedecer, eu nem seria eu.
O meu irmão primogênito tem 30 anos, parece mais velho que o meu pai, com 60. Ele faz o estilo extremamente conservador, já meu pai é moderno, divertido e sabe respeitar profundamente as decisões femininas. Meu pai adora cozinhar e decorar a mesa para as suas mulheres.
O irmão do meio me vê como uma mulher futurista. Ele é um tipo conservador descolado. O olhar dele é como quem diz: “Façam o que quiserem, suas doidas!” A vida fez dele o mais experiente quando o assunto é mulher. Estudou comigo e via minhas sutis extravagâncias desde a adolescência. Hoje ele tem três mulheres... a esposa e as duas filhas. Cada uma mais cheia de virtudes que a outra. É engraçado como esse “pirralho” sabe lidar com elas. E essa mulherada é fascinada por ele, porque ele é manso, beijoqueiro, bagunceiro e é daqueles que nunca diz não pra ninguém.
O psicólogo norte-americano Steven Carter escreveu o livro “Homens gostam de mulheres que gostam de si mesmas" (Ed. Sextante). Não lerei, nem indico, só vou comentar. Até porque ele mesmo disse: “Não se esforce demais para descobrir o que os homens querem. ¹”
Depois, Carter fala: “As mulheres inteligentes sabem quem são e o que têm a oferecer ²”. “Não aceitam nada menos do que merecem ³ e não oferecem nada rápido demais”. Só aí são quatro questões, complexíssimas, apesar de parecerem óbvias.
Quanto à segunda frase, podemos até dizer: “Sei de algumas das minhas qualidades, alguns defeitos, sonhos, fomes, sedes, filmes preferidos, mas, quem sou eu? Alguém assopra aí, por favor! Depois, o que tenho a oferecer? Uma fortuna. Sou herdeira de pais riquíssimos... de adjetivos. No entanto, as coisas que formam a minha herança interessam a quem? A um monte de gente? Mas quem seria tão bom pra dividir?
E quanto ao “não aceitam menos do que merecem”: o que eu mereço? Promessas de paixão eterna? Um namoro com seguro de vida? Ou só uma noite de amor sensível? Tem alguma coisa melhor ou pior aí?
Já a última frase doeu: “Não oferece nada rápido demais”. Tudo bem que o que é demais estraga. Mas, peraí, na velocidade quem manda somos nós. O guru principal é o nosso desejo. É repugnante contrariar a nossa vontade, ou usar o freio ou o acelerador dos outros. Quem governa o meu carro sou eu, doa a quem doer, inclusive se esse quem for eu.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Nos meus 26, aprendi a correr
E adoro ficar quieta, silenciosa, mexendo só com o olhar
Sentir o néctar das extravagâncias, das esquisitices alheias
As inquietações, as dores, as dúvidas e os tropeços.
Adoro ouvir a turbulência ou o nada da multidão.
Gosto de ver tudo, qualquer coisa que me fure o peito,
arranque a alma ou destrua tudo que antes domava minha opinião.
Porque quem sorri, chora aos prantos.
Quem tem um ataque de nervos, só queria o silêncio.
Quem canta, queria explodir em alguém.
E há coisa mais linda do que ser ridículo?
Adoro o ridículo. Porque o ridículo é verdadeiro.
E quem não quer ser verdadeiro se esconde.
Sorrir ou debochar dos extremos.
Tudo depende do olhar.
E tudo só importa se for com amor,
aos montes.
E adoro ficar quieta, silenciosa, mexendo só com o olhar
Sentir o néctar das extravagâncias, das esquisitices alheias
As inquietações, as dores, as dúvidas e os tropeços.
Adoro ouvir a turbulência ou o nada da multidão.
Gosto de ver tudo, qualquer coisa que me fure o peito,
arranque a alma ou destrua tudo que antes domava minha opinião.
Porque quem sorri, chora aos prantos.
Quem tem um ataque de nervos, só queria o silêncio.
Quem canta, queria explodir em alguém.
E há coisa mais linda do que ser ridículo?
Adoro o ridículo. Porque o ridículo é verdadeiro.
E quem não quer ser verdadeiro se esconde.
Sorrir ou debochar dos extremos.
Tudo depende do olhar.
E tudo só importa se for com amor,
aos montes.
domingo, 25 de maio de 2008
terça-feira, 29 de abril de 2008
Enquanto existe o pudor, Belle Justie se diverte
Belle Justie definitivamente é uma louca, louca varrida, louca de jogar pedra, louca de rasgar dinheiro. E agora ela tá tão louca que anda até lendo bula de remédio.
Belle Justie é despudorada. E disseram que ela é pueril.
Belle Justie não está nem aí pra nada porque Belle Justie é Belle Justie, e igual a Belle Justie só há Belle Justie.
sexta-feira, 21 de março de 2008
Lógica dos sentidos
(Parte I)
Belle Justie é tudo
não quer mais nada
sonha com nada
lembra de nada
gosta de nada
nada era louco por tudo
tudo se encantava com nada
se importava com nada
desejava nada
nada ficava em paz com tudo
tudo era louca por nada
mas nada brigou com tudo
tudo brigou com nada
porque nada quer tudo
tudo não esquece nada
nada ainda lembra de tudo
tudo e nada não se entendem
mas tudo e nada nasceram no mesmo lugar
nada e tudo se encontraram
nada sentiu tudo
sentiu o prazer de tudo
foi às nuvens com tudo
tudo acreditou em nada
tudo quis ser criança
nada quer ser adulto
nada não pode ver tudo
os planos de nada se desmanchariam com tudo
porque nada entra em choque com tudo
nada não consegue ver tudo
porque nada ia querer possuir tudo
tudo ia fazer cara de tudo
porque tudo é fogo com tudo
tudo pediu desculpa a nada por falar tudo em forma de nada.
(Parte II)
Tudo é quase nada sem nada
nada tem inveja de tudo
não tem mais o sabor de tudo
vive sem a delícia de tudo
tudo foi feliz com nada
nada sabe ser tudo,
menos nada.
(Parte III)
Nada é uma pimenta de nada
gosta do corpo de tudo
da cabeça de tudo
do coração de tudo
tudo tirou tudo por nada
nada brincou com tudo
jorrou tudo em tudo
tudo dormiu em nada
nada olhou pra tudo
tudo chorou pra nada
nada admirou tudo
tudo desmaiou em nada
acordou protegida por nada
olhou pra nada
e pediu mais nada
nada deu mais nada pra tudo
nada sentiu tudo de tudo de novo com tudo
e tudo sentiu tudo de tudo de novo com nada.
(Parte I)
Belle Justie é tudo
não quer mais nada
sonha com nada
lembra de nada
gosta de nada
nada era louco por tudo
tudo se encantava com nada
se importava com nada
desejava nada
nada ficava em paz com tudo
tudo era louca por nada
mas nada brigou com tudo
tudo brigou com nada
porque nada quer tudo
tudo não esquece nada
nada ainda lembra de tudo
tudo e nada não se entendem
mas tudo e nada nasceram no mesmo lugar
nada e tudo se encontraram
nada sentiu tudo
sentiu o prazer de tudo
foi às nuvens com tudo
tudo acreditou em nada
tudo quis ser criança
nada quer ser adulto
nada não pode ver tudo
os planos de nada se desmanchariam com tudo
porque nada entra em choque com tudo
nada não consegue ver tudo
porque nada ia querer possuir tudo
tudo ia fazer cara de tudo
porque tudo é fogo com tudo
tudo pediu desculpa a nada por falar tudo em forma de nada.
(Parte II)
Tudo é quase nada sem nada
nada tem inveja de tudo
não tem mais o sabor de tudo
vive sem a delícia de tudo
tudo foi feliz com nada
nada sabe ser tudo,
menos nada.
(Parte III)
Nada é uma pimenta de nada
gosta do corpo de tudo
da cabeça de tudo
do coração de tudo
tudo tirou tudo por nada
nada brincou com tudo
jorrou tudo em tudo
tudo dormiu em nada
nada olhou pra tudo
tudo chorou pra nada
nada admirou tudo
tudo desmaiou em nada
acordou protegida por nada
olhou pra nada
e pediu mais nada
nada deu mais nada pra tudo
nada sentiu tudo de tudo de novo com tudo
e tudo sentiu tudo de tudo de novo com nada.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Minha amiga intelectual e vencedora de olímpiadas de conhecimentos Camila Rocha, 11 anos. Depois dessa foto, a gente conversou sobre a Sorbonne, a Oxford e doutorados. Ela também me deu dicas de maquiagem, disse que eu sou muito fofinha e que pareço uma criança. 


O sentido nunca se fecha.
Fotos: Flávia Rocha (exceto esta última)
segunda-feira, 17 de março de 2008
terça-feira, 11 de março de 2008
Vida cor-de-rosa (Carta da Condessa Juliet D'Mond Le Morchê)
Um dia sonhei com uma vida assim, completamente rosa. Estive acordada por uns dias, e a vida escureceu, estava sem graça, sem sentido, não sabia pra que lado eu dobrava. Foram dias nebulosos. Eu senti frio, medo, medo de sentir saudade, principalmente. Medo de desistir de sonhar. Medo de ficar acordada para o resto da vida. Medo de achar que essa vida aqui é séria mesmo. Medo de achar que tudo isso aqui é pra valer. Medo de lutar pelo que não é importante. Medo de olhar pro lado errado. Medo de ficar calada. Medo de perceber que estou virando mulher. Medo de ter certeza que esse lugar aqui é duro, que as pessoas são duras. Eu escureci. Meus olhos escureceram. Minhas lentes quebraram. Meu bolso quebrou. Até meu copo de peixinhos quebrou. E eu dormi rodeada de cacos.
Mas ontem eu sonhei de novo, e você estava lá, todo arteiro.
Um dia tracei uma vida cor-de-rosa, você estava do meu lado direito, esquerdo, na frente e atrás. E um monte de crianças ao nosso redor. Via os nossos sorrisos no campo. Era um lugar distante, tinha o ar fresco, vista verde, colorida, brincadeiras, vida, nada de mau humor. A gente era forte, você parecia mais jovem, o seu olhar estava mais feliz. Você tinha conseguido fazer tudo para me deixar feliz. Você parecia um menino, cheio de sonhos. E estava com vontade de lutar por cada um deles. Eu estava toda orgulhosa do meu amor. A gente não tinha passado ruim. O passado, o presente e o futuro, tudo era bom. Você rodopiava. Tão menino, tão menino, que eu sentia vontade de chorar de tanta alegria. A gente passaria várias luas-de-mel em grandes metrópoles, em cidades cercadas de rios, de lagos, de mares, de sol, de lua, de barco, de charrete, de pedalinho.
Um dia sonhei com uma vida assim, completamente rosa. Estive acordada por uns dias, e a vida escureceu, estava sem graça, sem sentido, não sabia pra que lado eu dobrava. Foram dias nebulosos. Eu senti frio, medo, medo de sentir saudade, principalmente. Medo de desistir de sonhar. Medo de ficar acordada para o resto da vida. Medo de achar que essa vida aqui é séria mesmo. Medo de achar que tudo isso aqui é pra valer. Medo de lutar pelo que não é importante. Medo de olhar pro lado errado. Medo de ficar calada. Medo de perceber que estou virando mulher. Medo de ter certeza que esse lugar aqui é duro, que as pessoas são duras. Eu escureci. Meus olhos escureceram. Minhas lentes quebraram. Meu bolso quebrou. Até meu copo de peixinhos quebrou. E eu dormi rodeada de cacos.
Mas ontem eu sonhei de novo, e você estava lá, todo arteiro.
domingo, 9 de março de 2008
Bilhetes em jejum
B1
Bên’eê..., você tem inveja da minha barriga, não tem? Então, vem me achar, vem! Quando você me achar, se é que vai me achar, eu vou lhe mostrar uma coisa. Eu tenho mesmo que lhe mostrar uma coisa. Há dias quero lhe mostrar essa coisa. E você nem pode opinar. Quero que você toque, sinta. Olhe e cheire. Se você quiser, pode pintar também.
B1
Bên’eê..., você tem inveja da minha barriga, não tem? Então, vem me achar, vem! Quando você me achar, se é que vai me achar, eu vou lhe mostrar uma coisa. Eu tenho mesmo que lhe mostrar uma coisa. Há dias quero lhe mostrar essa coisa. E você nem pode opinar. Quero que você toque, sinta. Olhe e cheire. Se você quiser, pode pintar também.
B2
Meu amor, que tal coisa é essa? Não consigo lhe achar, onde você se meteu? Tô ficando nervoso. E você sabe como eu fico quando eu fico nervoso... Anda logo, vai... Que tal coisa é essa?
Ah, amor, eu tô com sono também. Eu só quero abraçar você. Eu já sei... você quer me enlouquecer, não é mesmo? Tá bem, tá bem, você já está me enlouquecendo... Admito! Agora é só você aparecer. Reaparece, vai!
B3
Bên’eê..., você sabe que eu não vou reaparecer. Não vou, e pronto. Eu só tenho que lhe mostrar uma coisa, é só isso. Você não precisa mais de mim. Aliás, você precisa de mim, sim. Ah, mas o que isso importa agora, a essa hora da madrugada? A verdade é que EU não quero mais precisar de você. Não quero, e pronto. Sei que você deve estar louco a essa hora. Louco de tudo. Tá doido pra me mostrar tudo. Doido pra deixar a cortina da sala aberta. Eu sei que você não se importa com os vizinhos. Você não se importa com nada. Você nunca me dá tempo de fechar a cortina. Sei que é de propósito. Só pra me por no meu lugar. No fundo, quer que eu pense que só você pode me fazer feliz. Mas não aceito mais chantagens. É só com você que eu posso ser feliz? Então eu não quero mais ser feliz. Prefiro a lertagia, o vão, a escuridão. Prefiro sentir medo do trovão. E que trovões chatos! Ontem um deles matou uma vizinha. Ela morava na rua 15. Eu não senti nada, porque eu não sinto mais nada. E o meu olhar, o meu sorriso, o meu cabelo não são mais os mesmos. E minhas lágrimas? A última foi aquela que você enxugou. Você lembra? É claro que lembra, foi naquele dia que você se saciou. Você estava perfeito naquele dia, mas eu não quero falar disso porque eu nem lembro direito de nada. Não quero lembrar de mais nada.
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