segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Minha Herança: uma Flor
(Vanessa da Mata)



Achei você no meu jardim

Entristecido

Coração partido

Bichinho arredio

Peguei você pra mim

Como a um bandido

Cheio de vícios

E fiz assim, fiz assim

Reguei com tanta paciência

Podei as dores, as mágoas, doenças

Que nem as folhas secas vão embora

Eu trabalhei

Fiz tudo, todo meu destino

Eu dividi, ensinei de pouquinho

Gostar de si, ter esperança e persistência

Sempre

A minha herança pra você

É uma flor com um sino, uma canção

Um sonho, nem uma arma ou uma pedra

Eu deixarei

A minha herança pra você

É o amor capaz de fazê-lo tranqüilo

Pleno, reconhecendo o mundo

O que há em si

E hoje nos lembramos

Sem nenhuma tristeza

Dos foras que a vida nos deu

Ela com certeza estava juntando

Você e eu(2x)

Achei você no meu jardim

Obs. do blog: tem que ouvir pra sentir. E eu tenho ouvido tanto.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Ponto
Não é bem felicidade. É diferente. Mais que isso. Ou menos. Ou igual. Não importa agora. O bom é que é bom. Muito bom. Bom demais da conta. Mas é uma coisa leve, levíssima, sem atropelos. Tão retilínea, tão nossa. Ninguém sabia que isso ia acontecer assim, assim desse jeito, com esse encaixe. Normal que acontecesse. É que a nossa singularidade é o nosso ponto de inseparação. Mas, agora, o melhor é ficar em silêncio.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Beleza sem preço
(Menino na Pedra Itaguruçu, Serra da Ibiapaba-CE)
Foto: Flávia Rocha
Paz na Lagoa Azul
Foto: Flávia Rocha
Igrejinha do Céu - Viçosa-CE
Foto: Flávia Rocha
Porque Jericoacara continua linda
Foto: Flávia Rocha


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Mais Lagoa do Paraíso, na Jijoca de Jeri
Fotos: Flávia Rocha

Lagoa do Paraíso - Jijoca de Jeri
Fotos: Flávia Rocha

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Conversa entre borboletas
Duas borboletas se reencontram depois de vários meses de separação:
- Ué, cadê a sua outra asa?
- Não sei, eu perdi, desde a última vez que lhe vi.


A borboleta fêmea, preocupada com o macho sem uma das asas:
-Vem cá, e quem estava lhe orientando nesse tempo todo?
-Ué, borboletas amigas que eu ia encontrando pelos jardins...
-Pelo visto suas amigas mal conhecem as palavras...
-Ué, mas eu cheguei até aqui, não cheguei?
-Chegou, mas você não tem idéia em quantas flores eu sozinha posei.

O macho respira pensativo.
E a fêmea muda rapidamente:
-Mas vem cá logo, homem, que eu tenho que devolver sua asa.

domingo, 12 de outubro de 2008

Conjugação do verbo fazer (falta)

Eu faço
Tu fazes
Nós fazemos

Conjugação do verbo matar (saudade)

Eu mato
Tu matas
Nós matamos

Conjugação do verbo responsabilizar

Eu não me responsabilizo
Tu não se responsabiliza
Nós não nos responsabilizamos

Conjugação do verbo resolver (nosso problema)

Eu resolvo
Tu resolves
Nós resolvemos

Conjugação do verbo levar (a sério)

Eu não levo
Tu não levas
Nós não levamos

Sobre o verbo prender

Ninguém prende o que é meu porque o que é meu eu só empresto porque o que é meu se prendeu em mim desde o dia que me viu e me desamarrou e me desvendou e me desclausurou e arrancou todos os meus cadeados, um por um, e desde esse dia nem eu nem ele nunca mais quer ver o sol nascer quadrado.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Quelqu'un M'a Dit
(Carla Bruni)


On me dit que nos vies ne valent pas grand-chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses,
On me dit que le temps qui glisse est un salaud,
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux.
Pourtant quelqu'un m'a dit que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore,
Serais ce possible alors ? (refrain)
On me dit que le destin se moque bien de nous,
Qu'il ne nous donne rien, et qu'il nous promet tout,
Paraît que le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou.
Pourtant quelqu'un m'a dit...
Mais qui est-ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus, c'était tard dans la nuit,
J'entends encore la voix, mais je ne vois plus les
traits, "Il vous aime, c'est secret, ne lui dites pas
que je vous l'ai dit."
Tu vois, quelqu'un m'a dit que tu m'aimais encore,
Me l'a t'on vraiment dit que tu m'aimais encore,
Serait-ce possible alors ?
On me dit que nos vies ne valent pas grand-chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses,
On me dit que le temps qui glisse est un salaud,
Et que de nos tristesses il s'en fait des manteaux.
Pourtant quelqu'un m'a dit...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Sonho
(Atenção: quem tem medo não deve ler. E quem começar a ler tem que ler até o final.)

Hoje (14/09/2008), às 23 horas, tive um sonho. Digo: pesadelo. Uma “alma” chegava e dizia: “Você não quer morrer? Então, você vai morrer agoooora!”Aí, outra “alma”, preta e bem grande, aparecia do lado esquerdo da minha cama, como se tivesse colocando alguma coisa dentro do meu coração. Ela (digo: essa alma preta) era meio violenta, ficava meio que dizendo desaforada: “Você vai agoooora e não tem mais jeito!”. Os seus movimentos eram rápidos como quem estava furioso comigo. Eu tentava gritar. Botava todas as minhas forças, explodindo ininterruptos e esperançosos “Mãaaaaaaaaaaae, me ajude... Mãaaaaaaaaaae!!!” Mas a voz não saía, eu percebia que não saía e me desesperava. Porém, eu não tinha desistido de lutar contra a tal alma preta, isso via pensamento porque ela me deixou imobilizada: “Mas você não tem motivo pra me levar. Fui dormir boazinha. Que desculpa vocês vão inventar pra dizer que eu morri?” Assim parece que “ela” desistiu. Saiu. Mas me disse (não sei como porque ninguém falava com a voz): “Pois vou providenciar essa desculpa ‘amanhã’ ou nos ‘próximos dias’”. Ponto final. Acordei apavorada, com a ameaça. Quis ir correndo pro quarto dos meus pais. Aí, um dos meus “eus” perguntou: “E desde quando você tem medo de ‘alma’?” Eu sorri. E virei pra dormir de novo.

Minutos depois...

Lembrei de anotar o sonho. Registrei (como você está vendo). Nesse intervalo veio a intuição de que morrer não é nada bom quando ainda não se é um anjo. Parece que foi um alerta. Sempre intuí que iria para outra vida cedo. Achava ótimo isso porque ia ganhar de presente um tipo de estágio de evolução mais avançado. Mas me pareceu que as coisas não são bem assim. Nesse campo, não há privilegiados. Por isso, me pareceu também que a gente deve ser minucioso em cada detalhe das nossas ações. Valeu o recado
!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Deixa eu te conduzir...

É assim: primeiro, não precisa olhar pro chão. Feche os olhos, ponha o calcanhar direito na frente do dedão esquerdo, agora, deixe as asas em posição de decolagem. Nesse instante, não sinta medo, estou aqui, bem atrás de você. Agora, acho que já está pronto, bote o calcanhar esquerdo na frente do dedão direito. Vou vendar os seus olhos, pra não precisar se preocupar com eles. Esqueça tudo. Você pode fazer leves movimentos com a cabeça, descendo e subindo o nariz, só pra sentir o aroma da sala. Pode fazer pequenas ondas com a cabeça enquanto respira. Pode até virar pros lados, se quiser. Estou a um centímetro atrás de você. Minhas asas também estão em posição de vôo, mas não posso tocar em nada. Estou sentindo o cheiro da sua entreasas, mas não vou triscar nem a ponta do meu nariz. Agora, vou ficar aqui, parada. Você, bem de leve, vai trocar as pernas. Se der tudo certo nesse passo, pode partir pro seguinte. Sozinho. A cada passo perfeito, o som da minha voz vai se encaixotando...

(zero vírgula um segundo depois)

...O ar está ficando abafado. Não consigo mais ouvir o seu pé descolar do chão. Agora, eu vou dar um giro, bater minhas asas bem de mansinho. Se a gente quiser voltar pra esse lugar, essa sala abarrotada de coisas nossas, acho que você não vai mais se perder no caminho.

domingo, 7 de setembro de 2008

Belle Justie recebeu uma carta

Belle Justie estava na varanda do apartamento, no 18º andar. Acabara de acender o seu primeiro cigarro. Classuda, vestia camisola de seda vermelha. Despercebida, distribuía charme pro vento. O interfone tocou. Ela pediu que subissem com o envelope.

“Belle, meu amor, sinto daqui que ainda és minha. Sinto teu cabelo aveludado. O teu perfume me inebria. Meu olhar fica em fúria, desesperado sem o teu toque. Tremo até a alma por ti. Meu corpo encurva no travesseiro à procura do teu tudo. Fecho os olhos e me arrepio na lembrança dos pêlos dourados tocando de leve meu peito molhado de desejo por ti.

Meus lábios não são mais os mesmos, estão secos, feridos, brigam com os dentes, recordando do teu sopro quente. Devoro-te com as nuvens do teu cheiro, do teu gosto, do teu jeito.

Abandonaste-me tão cedo... Agora, te imploro, desesperadamente, por mais uma vez. Se não doer, peço, humildemente, na postura de servo que sou, para perdoar os meus erros e olhar-me como na primeira vez.

Querida, Belle, te suplico, piedade desse homem arrebatado de loucura por ti. Ajoelharei-me aos teus pés, depois farás tudo que quiseres de mim.”

*Belle Justie é uma personagem criada por mim, Flávia Rocha. Ela é uma espécie de mulher rara na face da Terra.

sábado, 30 de agosto de 2008

Aai...



Você disse Que não sabe "se não" Mas também Não tem certeza que "sim"... Quer saber? Quando é assim Deixa vir do coração Você sabe Que eu só penso em você Você diz Que vive pensando em mim... Pode ser Se é assim Você tem que largar A mão do "não" Soltar essa louca Arder de paixão Não há como doer Prá decidir Só dizer "sim" ou "não" Mas você adora um "se"... Eu levo a sério Mas você disfarça Você me diz à beça E eu nessa de horror E me remete ao frio Que vem lá do sul Insiste em "zero" a "zero" Eu quero "um" a "um"... Sei lá, o que te dá Não quer meu calor São Jorge, por favor Me empresta o dragão Dragão! Mais fácil aprender Japonês em braile Do que você decidir Se dá ou não...Você disse Que não sabe "se não" Mas também Não tem certeza que "sim"... Quer saber? Quando é assim Deixa vir do coraçãoVocê sabe Que eu só penso em você Você diz Que vive pensando em mim... Pode ser Se é assim Você tem que largar A mão do "não" Soltar essa louca Arder de paixão Não há como doer Prá decidir Só dizer "sim" ou "não" Mas você adora um "se"... Eu levo a sério Mas você disfarça Você me diz à beça E eu nessa de horror E me remete ao frio Que vem lá do sul Insiste em zero a zero Eu quero um a um...Sei lá, o que te dá Não quer meu calor São Jorge, por favor Me empresta o dragão Dragão! Mais fácil aprender Japonês em braile Do que você decidir Se dá ou não...

Foto do Djavan: Geórgia Benvindo, no show em Teresina, ontem.
Frase da semana: “Cinema não é sabão em pó”
É de Walter Salles, em entrevista à revista Época desta semana. Para o diretor da principal estréia do cinema brasileiro no segundo semestre (5 de setembro), o filme "Linha de Passe", as produções nacionais deveriam esquecer as bilheterias e se preocupar em retratar o Brasil.

Foto: Daniel Novaes

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

lentas e poéticas
fotos: Flávia Rocha


(Flores em Alto Longá-PI)

domingo, 24 de agosto de 2008

Mais Maria (Série Mãos)
Fotos: Flávia Rocha





Maria: a artista mais bagunçadeira do mundo




Maria Fernanda: a pintora


(A Maria Fernanda - minha sobrinha caçula - me deu um baita susto quando eu acordei hoje. Ela acabou com todas as minhas tintas, mas valeu pela bagunça e as fotos)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O Retorno de Belle Justie

Belle Justie anda com vontade de explodir
Ela queria comprar um trator
Ela precisa de uma luva de box
Ela finge ficar em silêncio
Mas o olhar dela grita
Ela é um exagero
O sorriso dela é um feitiço
Mas o amor dela anda contido
Só o que importa pra ele agora são coisas que pra ela não fazem mais sentido
Ela só quer ficar descabelada, subir nele e mostrar o que é uma paixão de verdade
Nada frio
Tudo quente, queimando
Ele desistiu dessas coisas que fazem de um homem um homem
E Belle Justie acha que ele andou bebendo alguma coisa.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Preciso saber se dá certo fazer ao contrário

Vejo frases de como as mulheres devem se comportar. São escritores, psicólogos, terapeutas, amigos, irmãos, dizendo o que a gente deve fazer. Esses últimos aí, então, se fosse obedecer, eu nem seria eu.

O meu irmão primogênito tem 30 anos, parece mais velho que o meu pai, com 60. Ele faz o estilo extremamente conservador, já meu pai é moderno, divertido e sabe respeitar profundamente as decisões femininas. Meu pai adora cozinhar e decorar a mesa para as suas mulheres.

O irmão do meio me vê como uma mulher futurista. Ele é um tipo conservador descolado. O olhar dele é como quem diz: “Façam o que quiserem, suas doidas!” A vida fez dele o mais experiente quando o assunto é mulher. Estudou comigo e via minhas sutis extravagâncias desde a adolescência. Hoje ele tem três mulheres... a esposa e as duas filhas. Cada uma mais cheia de virtudes que a outra. É engraçado como esse “pirralho” sabe lidar com elas. E essa mulherada é fascinada por ele, porque ele é manso, beijoqueiro, bagunceiro e é daqueles que nunca diz não pra ninguém.

O psicólogo norte-americano Steven Carter escreveu o livro “Homens gostam de mulheres que gostam de si mesmas" (Ed. Sextante). Não lerei, nem indico, só vou comentar. Até porque ele mesmo disse: “Não se esforce demais para descobrir o que os homens querem. ¹”

Depois, Carter fala: “As mulheres inteligentes sabem quem são e o que têm a oferecer ²”. “Não aceitam nada menos do que merecem ³ e não oferecem nada rápido demais”. Só aí são quatro questões, complexíssimas, apesar de parecerem óbvias.

Quanto à segunda frase, podemos até dizer: “Sei de algumas das minhas qualidades, alguns defeitos, sonhos, fomes, sedes, filmes preferidos, mas, quem sou eu? Alguém assopra aí, por favor! Depois, o que tenho a oferecer? Uma fortuna. Sou herdeira de pais riquíssimos... de adjetivos. No entanto, as coisas que formam a minha herança interessam a quem? A um monte de gente? Mas quem seria tão bom pra dividir?

E quanto ao “não aceitam menos do que merecem”: o que eu mereço? Promessas de paixão eterna? Um namoro com seguro de vida? Ou só uma noite de amor sensível? Tem alguma coisa melhor ou pior aí?
Já a última frase doeu: “Não oferece nada rápido demais”. Tudo bem que o que é demais estraga. Mas, peraí, na velocidade quem manda somos nós. O guru principal é o nosso desejo. É repugnante contrariar a nossa vontade, ou usar o freio ou o acelerador dos outros. Quem governa o meu carro sou eu, doa a quem doer, inclusive se esse quem for eu.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Nos meus 26, aprendi a correr

E adoro ficar quieta, silenciosa, mexendo só com o olhar
Sentir o néctar das extravagâncias, das esquisitices alheias
As inquietações, as dores, as dúvidas e os tropeços.
Adoro ouvir a turbulência ou o nada da multidão.
Gosto de ver tudo, qualquer coisa que me fure o peito,
arranque a alma ou destrua tudo que antes domava minha opinião.
Porque quem sorri, chora aos prantos.
Quem tem um ataque de nervos, só queria o silêncio.
Quem canta, queria explodir em alguém.

E há coisa mais linda do que ser ridículo?
Adoro o ridículo. Porque o ridículo é verdadeiro.
E quem não quer ser verdadeiro se esconde.
Sorrir ou debochar dos extremos.
Tudo depende do olhar.
E tudo só importa se for com amor,
aos montes.

domingo, 25 de maio de 2008

Amor,
Se você não é o meu amor,
Eu não sei mais de nada.
Então não peça pra eu falar nada
Porque não sei escrever nem dizer mais nada.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Enquanto existe o pudor, Belle Justie se diverte

Belle Justie definitivamente é uma louca, louca varrida, louca de jogar pedra, louca de rasgar dinheiro. E agora ela tá tão louca que anda até lendo bula de remédio.
Belle Justie é despudorada. E disseram que ela é pueril.
Belle Justie não está nem aí pra nada porque Belle Justie é Belle Justie, e igual a Belle Justie só há Belle Justie.

sexta-feira, 21 de março de 2008


Foto: Flávia Rocha
Lógica dos sentidos

(Parte I)

Belle Justie é tudo
não quer mais nada
sonha com nada
lembra de nada
gosta de nada
nada era louco por tudo
tudo se encantava com nada
se importava com nada
desejava nada
nada ficava em paz com tudo
tudo era louca por nada
mas nada brigou com tudo
tudo brigou com nada
porque nada quer tudo
tudo não esquece nada
nada ainda lembra de tudo
tudo e nada não se entendem
mas tudo e nada nasceram no mesmo lugar
nada e tudo se encontraram
nada sentiu tudo
sentiu o prazer de tudo
foi às nuvens com tudo
tudo acreditou em nada
tudo quis ser criança
nada quer ser adulto
nada não pode ver tudo
os planos de nada se desmanchariam com tudo
porque nada entra em choque com tudo
nada não consegue ver tudo
porque nada ia querer possuir tudo
tudo ia fazer cara de tudo
porque tudo é fogo com tudo
tudo pediu desculpa a nada por falar tudo em forma de nada.

(Parte II)
Tudo é quase nada sem nada
nada tem inveja de tudo
não tem mais o sabor de tudo
vive sem a delícia de tudo
tudo foi feliz com nada
nada sabe ser tudo,
menos nada.

(Parte III)
Nada é uma pimenta de nada
gosta do corpo de tudo
da cabeça de tudo
do coração de tudo
tudo tirou tudo por nada
nada brincou com tudo
jorrou tudo em tudo
tudo dormiu em nada
nada olhou pra tudo
tudo chorou pra nada
nada admirou tudo
tudo desmaiou em nada
acordou protegida por nada
olhou pra nada
e pediu mais nada
nada deu mais nada pra tudo
nada sentiu tudo de tudo de novo com tudo
e tudo sentiu tudo de tudo de novo com nada.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Minha amiga intelectual e vencedora de olímpiadas de conhecimentos Camila Rocha, 11 anos. Depois dessa foto, a gente conversou sobre a Sorbonne, a Oxford e doutorados. Ela também me deu dicas de maquiagem, disse que eu sou muito fofinha e que pareço uma criança.


O sentido nunca se fecha.
Fotos: Flávia Rocha (exceto esta última)

segunda-feira, 17 de março de 2008





Praia do Calhau, São Luís-MA, domingo, dia 16 de março de 2008. Foto minha (exceto a primeira que eu sou a protagonista.)

terça-feira, 11 de março de 2008

Vida cor-de-rosa (Carta da Condessa Juliet D'Mond Le Morchê)

Um dia tracei uma vida cor-de-rosa, você estava do meu lado direito, esquerdo, na frente e atrás. E um monte de crianças ao nosso redor. Via os nossos sorrisos no campo. Era um lugar distante, tinha o ar fresco, vista verde, colorida, brincadeiras, vida, nada de mau humor. A gente era forte, você parecia mais jovem, o seu olhar estava mais feliz. Você tinha conseguido fazer tudo para me deixar feliz. Você parecia um menino, cheio de sonhos. E estava com vontade de lutar por cada um deles. Eu estava toda orgulhosa do meu amor. A gente não tinha passado ruim. O passado, o presente e o futuro, tudo era bom. Você rodopiava. Tão menino, tão menino, que eu sentia vontade de chorar de tanta alegria. A gente passaria várias luas-de-mel em grandes metrópoles, em cidades cercadas de rios, de lagos, de mares, de sol, de lua, de barco, de charrete, de pedalinho.

Um dia sonhei com uma vida assim, completamente rosa. Estive acordada por uns dias, e a vida escureceu, estava sem graça, sem sentido, não sabia pra que lado eu dobrava. Foram dias nebulosos. Eu senti frio, medo, medo de sentir saudade, principalmente. Medo de desistir de sonhar. Medo de ficar acordada para o resto da vida. Medo de achar que essa vida aqui é séria mesmo. Medo de achar que tudo isso aqui é pra valer. Medo de lutar pelo que não é importante. Medo de olhar pro lado errado. Medo de ficar calada. Medo de perceber que estou virando mulher. Medo de ter certeza que esse lugar aqui é duro, que as pessoas são duras. Eu escureci. Meus olhos escureceram. Minhas lentes quebraram. Meu bolso quebrou. Até meu copo de peixinhos quebrou. E eu dormi rodeada de cacos.

Mas ontem eu sonhei de novo, e você estava lá, todo arteiro.

domingo, 9 de março de 2008

Bilhetes em jejum

B1

Bên’eê..., você tem inveja da minha barriga, não tem? Então, vem me achar, vem! Quando você me achar, se é que vai me achar, eu vou lhe mostrar uma coisa. Eu tenho mesmo que lhe mostrar uma coisa. Há dias quero lhe mostrar essa coisa. E você nem pode opinar. Quero que você toque, sinta. Olhe e cheire. Se você quiser, pode pintar também.

B2

Meu amor, que tal coisa é essa? Não consigo lhe achar, onde você se meteu? Tô ficando nervoso. E você sabe como eu fico quando eu fico nervoso... Anda logo, vai... Que tal coisa é essa?

Ah, amor, eu tô com sono também. Eu só quero abraçar você. Eu já sei... você quer me enlouquecer, não é mesmo? Tá bem, tá bem, você já está me enlouquecendo... Admito! Agora é só você aparecer. Reaparece, vai!

B3

Bên’eê..., você sabe que eu não vou reaparecer. Não vou, e pronto. Eu só tenho que lhe mostrar uma coisa, é só isso. Você não precisa mais de mim. Aliás, você precisa de mim, sim. Ah, mas o que isso importa agora, a essa hora da madrugada? A verdade é que EU não quero mais precisar de você. Não quero, e pronto. Sei que você deve estar louco a essa hora. Louco de tudo. Tá doido pra me mostrar tudo. Doido pra deixar a cortina da sala aberta. Eu sei que você não se importa com os vizinhos. Você não se importa com nada. Você nunca me dá tempo de fechar a cortina. Sei que é de propósito. Só pra me por no meu lugar. No fundo, quer que eu pense que só você pode me fazer feliz. Mas não aceito mais chantagens. É só com você que eu posso ser feliz? Então eu não quero mais ser feliz. Prefiro a lertagia, o vão, a escuridão. Prefiro sentir medo do trovão. E que trovões chatos! Ontem um deles matou uma vizinha. Ela morava na rua 15. Eu não senti nada, porque eu não sinto mais nada. E o meu olhar, o meu sorriso, o meu cabelo não são mais os mesmos. E minhas lágrimas? A última foi aquela que você enxugou. Você lembra? É claro que lembra, foi naquele dia que você se saciou. Você estava perfeito naquele dia, mas eu não quero falar disso porque eu nem lembro direito de nada. Não quero lembrar de mais nada.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Maria despachada

Brincadeira de meninas

Parece triste, mas a história é engraçada.


Matando saudade da casa abandonada ou subindo por um passado enferrujado









terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Belle Justie e o homem dela

Belle Justie tem a vida mansa
Acorda às 11 horas da madrugada todo dia
O sonho dela era viver no mundo da lua
Só queria ler jornais de outros planetas
Não gasta um vintém com jornais escritos na Terra
Ela também sonha em ser livre
Belle Justie não gosta que incomodem os seus pensamentos
Caso contrário, todas as idéias iriam tinta abaixo
As idéias dela têm cores
Belle Justie adora entrar nos pensamentos alheios
É uma especialista no assunto
ninguém sabe como ela é capaz
mas ela faz divinamente bem
À noite quando ela acorda atordoada
e nota a ausência do homem dela na cama,
ela se despedaça por uns instantes
e rapidamente sai voando até os sonhos dele
ela entra sonolenta e com pressa
nunca pede licença
nunca, nunquinha, ela fez isso
Mas Belle Justie é extremamente educada
só não consegue bater na porta dos sonhos do homem dela
e ele adora sonhar com Belle Justie
mas com ela ele só vive nos sonhos
só nos sonhos e nada mais
Os dois são completamente iguais
e extremamente diferentes
O sorriso dele é único
o dela é um doce
O andar dele é manso
o dela é macio, como quem pede, pede, pede...
O cabelo dele é raríssimo
e Belle Justie vive descabelada
O olhar dele é como pétala no deserto
o dela é como um riacho no sertão
Os dois são definitivamente perfeitos
Belle Justie é fascinada por ele
E ele é alucinado por ela.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Tá perdoado (Maria Rita)
*primeiro texto não originalmente amoraosmontes

defumei o corredor,
perfumei o elevador
pra tirar de vez o mau olhado
a saudade me esquentou
consertei o ventilador
pro teu corpo não ficar suado
nessa onda de calor
eu até peguei uma cor
tô com o corpo todo bronzeado
seja do jeito que for
eu te juro meu amor
se quiser voltar, tá perdoado
fui a pé a salvador
de joelho ao redentor
pra ver nosso amor abençoado
nosso lar se enfeitou
a esperança germinou
ah, tem muita flor
pra todo lado
pra curar a minha dor
procurei um bom doutor
me mandou beijar teu beijo
mais molhado
seja do jeito que for
eu te juro, meu amor,
se quiser voltar, tá perdoado
e se voltar te dou café
preliminar com cafuné
pra deixar teu dia mais gostoso
pode almoçar o que quiser,
e repetir,
te dou colher
faz daquele jeito carinhoso
deixa pintar o entardecer
e o sol brincar de se esconder
tarde e chuva
eu fico mais fogosa
e vai ficando pro jantar
tu vai ver só,
pode esperar
que a noite será maravilhosa

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Meus beijos
eu quero todos os meus beijos de volta
beijo por beijo
não vou deixar pra trás nenhum
exijo de volta cada um
meus beijos ousados, suados, molhados
todos
todos que tocaram seus lábios
todos que perturbaram o seu sono
os beijos quentes de entrada
os suaves de saída
quero todos, um por um
não deixarei nada com você
nenhum
nenhuma lembrança
e não vou deixar barato nenhum dos meus beijos
se você se negar, vou a qualquer lugar lhe denunciar
e não vou gritar
só o meu olhar vai falar
porque quem prova dos meus beijos tem que me amar.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Por que “O Caçador de Pipas” mexeu tanto comigo?

Falo do filme. Não do livro, ainda. Primeiro, na cena mais linda, Hassan (o garoto simples, humilde e amigo – nas verdadeiras concepções destas palavras) parece extremamente comigo. Fiquei orgulhosíssima dele. Ao mesmo tempo, senti uma vontade irracional de agir ao contrário, como nunca antes. Senti uma necessidade incontrolável de revidar. Revidar contra as questões mal resolvidas.

Geralmente, quando tratava de assuntos de amor, ou de amizade, só engrossava os meus músculos da paciência. O meu “eu” paciente estava ficando cada vez mais forte, intocável, inabalável. Ora esse “eu” era matemático, ora astrológico, ora ele sabia até calcular as linhas do tempo.

Este “eu” se sentia extremamente feliz. Até esse “eu” ver o Hassan, naquela cena inesquecível: sentado embaixo de um pé de romã, ele dá a boa nova a Amir que está aprendendo a ler, está começando com histórias para crianças; num olhar perfeitamente amigo, conta que as histórias escritas e contadas por Amir são muito mais divertidas.

Com uma romã na mão, Amir começa:
- O que você faria se eu desse isso na sua cabeça?
- O que você faria?
Amir jogou uma romã no peito de Hassan. A fruta vermelha escorria no corpo.
- Bata em mim! (e acertava outra)
- Revide! Revide! (e mais outra)
- Você é um covarde!

Hassan, numa atitude heróica e demonstrando um caráter indescritivelmente admirável, pega uma das frutas no chão e a esfrega na própria testa. O meu rosto derreteu em lágrimas nessa hora. Hassan não se defende, só ama, só é leal, só perdoa. Os Hassans nunca maltratam ou ofendem seu melhor amigo, mesmo com os vários sinais de fraqueza e covardia dos Amirs.

Hassan não via nenhum sinal ruim em Amir. Amir não tinha defeito. Se tinha, pouco importava. Porque Hassan só sabia amar Amir. Nada mais. E eu deveria ter seguido os passos de Hassan.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Maktub.

Um plano. Um alô. Um calafrio. Uma voz quente. Suave. De mulher. Ele nunca tinha ouvido antes. O que era aquilo? Um terremoto. Uma vontade. Um caldeirão. Imaginação. Curiosidade. Que mulher era aquela? Outro alô. Um desejo. Um encontro. Uma surpresa. Uma tensão. Mais vontade. Dois olhares arquitetônicos. Uma apresentação. Dois sorrisos. Um negócio a tratar. Outra vontade. Uma gentileza. Dois sorvetes! Uma mesa redonda. Um monte de gente invisível ao redor. Dois corações. Negócio fechado! Um convite. Um acordo. Uma carona. Uma conversa. Demorada. Engraçada. Inteligente. De descobrimento. De coincidências. De trocas. De primeira, segunda, terceira... intenções. Um sentimento irresistível. Desejo de desviar o caminho. Entrega, anunciada no pensamento dos dois. Um “obrigada!”. Uma despedida. Mas eles queriam tudo. Pés. Cabeça. Alma. Tudo!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Luís

Quando criança, eu era branquinha, do nariz afilado e o cabelo curto cheio de cachos dourados. Parecia um anjinho de tão gente boa. Aos 10 anos, me furtaram o primeiro beijo, foi atrás da escola. Senti-me invadida, enganada e tive vontade de denunciar na delegacia mais próxima. Ao mesmo tempo, gostei da iniciativa do menino. Menino danado! Aquilo me fez sorri depois. Guardei o segredo como quem guarda a vontade de quero mais. Na verdade, na hora, fiquei completamente sem graça. Em seguida, desejei correr atrás dele e me vingar. Tascaria outro beijo nele. Dessa vez, na frente de todo mundo, só pra matar ele de vergonha.

Um adulto apareceu segundos depois, e eu tive que conter aquela confusão de sentimentos. Na realidade, fiquei com raiva por dois motivos: um, porque eu gostava de outro menino, o mais danado da escola, ele era uma pestinha, e nos meus sentimentos mais íntimos queria que ele tivesse furtado o meu primeiro beijo; dois, porque fiquei com medo dele saber do furto e não querer mais um beijo meu, nem furtado, nem negociado, nem dado de coração.

Fiquei com medo de me tornar uma menina desinteressante, porque os lábios já tinham sido tocados. Tive medo de perder a atenção do menino mais legal da escola. Ele vivia suado e sujo. A gente adorava brincar de correr um atrás do outro. E eu adorava quando a gente caía junto no capim do campo da escola.

Nós dois disputávamos o título de mais danados do colégio, ele, na categoria masculina e, eu, na feminina. A diferença era que ele não se controlava tempo algum, e, eu, quando entrava na sala de aula me transformava. Não era dissimulação, não. Tinha uma sede angustiante de aprender. Cada vez mais e mais. Além disso, adorava ter o amor das professoras. Não abria mão disso por nada no mundo. Muito por ser leonina, não conseguia respirar sem me suflarem os elogios.

Engraçado que o nome dele era Luís. Eu achava lindo esse nome: Luís. Luís! Bonito, não é?

O tempo passou e eu nunca mais vi o Luís, mas antes dele desaparecer completamente da minha vida, ele me tascou um beijo, naquela parte mais sensível do rosto. O coração, coitado, foi a mil. Mas eu, menina boba, passei a mão direita na boca rapidamente, para ele nem de leve pensar que eu tinha ficado doidinha pelo beijo dele, por mais um, dois, três... quantos ele quisesse dar. Naquela hora, fui embora pra casa. Ele pra dele. E nosso beijo suado nunca mais se encontrou. Era o último dia de aula.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Os Homens São de Marte... e é para Lá que Eu Vou

Os homens sempre dão uma empinada na nossa vida. É só saber escolher. Nem que ele não dure mais do que uma semana. Duvida? É só entender a canetada de mestra de Mônica Martelli (já explico quem é. A foto dela está aí em cima). Ela, depois de passar mais de 30 anos rotulada como a fracassada da família, decidiu escrever despretensiosamente sobre suas aventuras amorosas e sexuais. Texto que acabou dando no monólogo “Os Homens São de Marte... e é para Lá que Eu Vou”, uma febre no Rio que agora vai virar filme e já pensam em transformá-la em série de TV.

É só uma tragicomédia simples. Mônica estava solteira na época e teve coragem de dizer o que muita gente esconde nesses tempos modernos: a mulher precisa de um homem para ser feliz. Pode até doer como um chute no que tem debaixo das calçolas das feministas, mas não é nada mais do que uma antiga verdade. Ora, qualquer mulher que tem a feminilidade encravada na pele vai preferir assistir a um filme agarradinha com o seu amor a assistir sozinha. Ou não é? Claro que tem horas que a gente quer ficar só, mas só umas “horinhazinhas”!

E é mais divertida a vida de solteira ou a de compactuada com um amor? Ai, ai, ai... Digo que numa noitada solteira a gente brinca, dança à vontade, fala barbaridades, canta no carro com a amiga mais maluca que a gente tem, dá gargalhadas incontroláveis e, no final, sabe que não vai ter nenhum beijinho. E na manhã seguinte, sabe que vai acordar com o corpo coberto por uma camisola. E não tem nem perigo de levantar sem ela. Só se sofrer de algum distúrbio durante o sono.

E a empinada na vida das mulheres que os homens dão? Um exemplo é da própria Mônica Martelli. Ela cursou Direito e não terminou; concluiu Jornalismo e não vingou como jornalista; participou de várias novelas da Globo e em todas as vezes ninguém ouviu sua voz. Até que conheceu Jerry, quando ele estava em São Paulo produzindo um show do Ed Motta. Mônica pensava que ele era gay. Quando Jerry disse que era hétero ela se apaixonou na hora. Pouco tempo depois, foram morar juntos. Jerry passou a produzir a vida de Mônica. Ele logo botou a mulher para tirar os textos dela do papel para o computador. Digitadas as histórias, depois dos empurrões do marido, Mônica jogou o negócio pra frente e estreou a peça. Fez sucesso e agora, como disse no início, vai virar filme. Hummm... vai uma empinadinha aí? Só se for com pipoca, e pra dois.

Obs.: Não assisti ao monólogo, escrevi esse texto com base em uma reportagem da revista Marie Claire deste mês.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Procura-se II

Quem sabe da palavra?
É segredo?
Mas que letras são essas?
É mistério?
Alguém ao menos já ouviu falar?
Queria ser craque no jogo da forca
Alguém conhece um?
Um craque na forca
Eu conheço
Em troca de que ele me revelaria?
Sobre as picuinhas e as histórias apimentadas

Detesto as picuinhas mundanas. Sou extremamente mal educada com elas. Viro as costas e me finjo de morta diante delas. Às vezes, dou gargalhadas pra elas. Depois esqueço e não dou trela nenhuma. Sou uma grande decepção para os inimigos. Eles não têm a menor chance comigo. Só vejo pessoas amigas ou pessoas burras que querem trocar uma amizade por um belo prato de fofocas quentinhas ou requentadas. Para estas pessoas peço desculpa pelo meu mau jeito, mas não consigo deixar de desprezá-las. Passo a régua sem dó, com a maior frieza do mundo.

Consumindo a vida assim, achava que não existiam novelas com a minha pessoa. Pois não é que existem? E várias! Cada qual mais cinematográfica do que a outra. Claro que na minha sala de projeção elas são barradas completamente. Não divulgo nada, nenhum resuminho. Só sinto pena por um instante e depois lembro que a maioria das pessoas ainda não sabe apreciar seus próprios filmes e não consegue viver sem jogar pimenta na história dos outros.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Procura-se

Uma palavra
Uma palavra
Só uma palavra
Eu não acho
A palavra
Mas que palavra é essa?
A palavra
Pra te levar pra casa.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Sobre o amor

Pra mim, o mundo anda maluco e a cada dia acho que não entendo mais nada sobre o amor. E na semana passada, vi dois casais amigos brigarem. Duas amigas sofriam e eu nem me aproximei porque acho que não sei mais de nada, não sei mais dar conselho, não quero mais nem dar nem receber conselhos, pelo menos por enquanto. Acho que o mundo está muito maluco mesmo. E eu estou ficando maluca também. Ora eu quero ficar gostosona, bronzeada, ora eu me acho linda branquinha. Ora eu quero ficar na minha, quetinha.
O certo é que não sei mais o que é certo nem o que é errado. Ora me dizem: - eita, mulher difícil! Já noutras horas sou a mulher mais fácil do mundo (pra uma pessoa só, claro!). Continuando os oras: ora acho que sou independente e sei muito bem viver sozinha, ora sei que sou completamente dependente de um amor ou de uma grande paixão, daquelas ardentes das quais a gente faz tudo, se abre completamente, sorri escancaradamente, daquelas que a gente sente-se totalmente livre e depois uma repleta prisioneira, ou daquelas paixões que a gente sente um prazer intenso até numa curta lembrança.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Camaleoa

Belle Justie acordou, posicionou-se em frente ao espelho e levou um susto. Era um susto que escorria singeleza para todos os lados. Um susto bom, boníssimo. Ela nada mais era que um réptil saurofídeo. Belle Justie mudava de cor, de faces, de sabor, de cheiro, de tudo. Olhar, sorriso, toque. Cruzada de pernas, mordida nos lábios, virada de cabeça, mexido no cabelo, beijo no canto da boca, aceno de mão. Tudo mudava à medida que ela desviava o olhar, ora seco ora molhado. Ora suave, ora ríspido, ora resplandecente, ora puro mistério. Certa hora ela se viu mais bonita. Ela via que de menina virava mulher, e de mulher de repente virava menina, de menina uma criança, de criança um bebê. Em um segundo, Justie se transformava. Aparentava uma velhinha, uma velhinha boaziiiinha, gente boooa... Velhinha atenciosa, respeitada, preocupada, cheia de sabedoria para espalhar por aí, cansada e com vontade de descansar. Velhinha amada, muito amada por um monte de gente. Do nada, Belle Justie voltava a ser uma criancinha, não conhecia nenhum problema, só queria brincar, pular e sorrir. Queria também dançar, cantar, gritar e falar o que desse na telha. Justie se deparou com uma camaleoa e viu no espelho o melhor e mais sem juízo jeito de ser feliz.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

A fúria de Belle Justie

Hoje Belle Justie enfureceu-se
Vestiu camiseta verde, cheia de gatinhos
E um sutiã vermelho
Vivo, bem vivo
Ela queria arrancar a pele de um até ver o sangue
Belle Justie estava mesmo enfurecida
Belle Justie vestiu calcinha vermelha também
Vermelho sangue
Belle Justie estava muito enfurecida
Tanto que deixou a alça vermelha à mostra
Ela se irritou até por estar com as unhas pintadas de branco
Queria vermelho, muito vermelho
Estava tão enfurecida que calçou uma sandália caríssima
Ela não era a mesma
Tinha vontade de devorar alguém
Belle Justie visitou um sex shop
Comprou tudo que o vendedor lhe ofereceu
A fúria de Belle Justie dava pra ver no caminhado, na voz e no modo como ela tocava o cabelo
Ela jogou todas as armas no porta-malas do carro
E bateu com força
Eram armas para arrancar a pele do causador da fúria dela
O olhar de Belle Justie esfumaçava
E ai de alguém que passasse na frente dela
Belle Justie não tinha palavras
Só fumaça
Ela não se reconhecia
E quando ela passava, os homens, coitados, se enfeitiçavam
Belle Justie é uma feiticeira
Há tempos ela não usa sua varinha
Era cor-de-rosa
Mas ela partiu ao meio
Belle Justie não queria ter que transformar mais nenhum dos seus namorados em sapo
E o príncipe tem que correr para não ver Belle Justie soltando fumaça.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Desenho

Belle Justie disse que quer andar de chinelo
Cabelo assanhado
Camiseta
Short rasgado
Nada de maquiagem
Se possível descalça
Nada de pernas cruzadas
Pernas abertas
Pés curvados
Só a metade da sola no chão
Belle Justie dançou sem ver ninguém
Quer que ninguém se apaixone por ela
Também não quer se apaixonar por ninguém
Belle Justie só quer se apaixonar por Belle Justie
Belle Justie prometeu que vai triplicar a alucinação.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Ímã
....
Trazes, contigo, o leme do destino escondido na mente, ocultando no peito o impulso que o dirige, porque tudo prospera aos golpes do desejo, e o ímã do desejo chama-se coração.

(*Da mensagem Ímã do livro Seara dos Médiuns – Emmanuel – Chico Xavier.)

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Dicas do que fazer antes da virada do ano

Piquenique secreto
Banho de cachoeira deserta
Fotos embaixo d’água
Olhar eterno
Dança inédita
Purificação no quarto
Visita a amigo do peito
Ligação de perdão
Pôr em prática um grande projeto
Doação integral
Escalar montanha
Roteiro alternativo
Brincadeira com as nuvens
Corte do mal pela raiz
Plano de um nascimento
Esquecimento do passado
Vida desde o primeiro bocejo
Mágica: dar um beijo no meio do tempo e imediatamente fazer surgir os raios do sol só pra abençoar o amor.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Amolices II

E o que é uma bobice?
Se não uma dose de burrice
Pra que tanta casmurrice?
Se eu sou apenas uma alice.
Amolices

Eu com minhas peraltices
Você com suas sandices
E o que importam as maluquices?
Se eu não te disse
Deixa de tolice!

sábado, 10 de novembro de 2007

Notícias de Amarolândia

O farmacêutico que fugiu com o rabo entre as pernas


O farmacêutico errou. Errou feio. Feiíssimo. Tá rindo, é? Pode rir à vontade. Por que não há nada mais engraçado do que descobrir que não existe fórmula química nenhuma. Não há projeções matemáticas. Nem previsões pluviométricas. Muito menos resposta verdadeira para tampar o desalinhavo que o sonho deixou. Não há medicamento. Nem remédio. Nada. Nada dá jeito. O sonho é só um. A dúvida é que tinha obrigação de ser nenhuma. E não há forasteiro que se atreva a dizer que inventou o imaginável desmemoriômetro. E que mentira mais mentirosa ele inventou. E a mensagem mais fajuta do mundo foi a do simples incrível... Simples incrível? Rá-rá-rá... Simples incrível há, mas só um. Cadê ele? Quem souber, quem tiver, quem sentir, jure me dizer, por favor! Quem nunca tiver ouvido falar, me perdoe também, por favor. E quem o viu passar de longe, tamanha sorte. Ficou feliz. E o que importa escrever traços rabiscados, se minha’lma não descreve nenhum laço longe do teu quarto, do canto do teu lábio, do sorriso e dos versos que eram só teus?

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Notícia de Amarolândia

O simples incrível que todo mundo devia saber

A prefeita de Amarolândia contratou um farmacêutico responsável pela invenção de um remédio milagroso. A fórmula é simples e muito eficaz. É incrível! O único problema é que o medicamento pode afetar a memória. Um dos sintomas adversos é o esquecimento, principalmente de tudo que seja pelo menos um tantinho desagradável. Qualquer pequeno mau trato é deletado da memória em frações de segundos. Se o paciente tiver um problema mal resolvido, então... já era! È esquecimento na certa. A fórmula está sendo distribuída gratuitamente pelas ruas da cidade através do PSRA – Programa para a Saúde e Revigoramento da Alma. O farmacêutico alerta que quem tem qualquer tendência masoquista não deve tomar o medicamento. Quem gosta de sentir ciúme, ficar em segundo plano ou se alimentar com ilusões também não deve usar nenhuma gota do remédio. E pra quem tem paciência de ler bula de remédio, está lá a fórmula: um novo amor! Ops!!! Só isso? Não pode ser!!! Como uma prefeita tão respeitada como a de Amarolândia pode tirar do orçamento público municipal uma quantia tão valiosa para pagar um farmacêutico desses?

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Sabe de uma coisa?
Como é que o peixinho namora a peixinha? Estou aqui, na madrugada, bebendo água em um copo cheio de peixinhos e não estou vendo nenhum fazer nada de amor. Vou ficar observando... Se eu ver alguma coisa, eu lhe aviso antes de você dormir.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Mulher de verdade

Tem sangue no olho
Bala na agulha
Nobreza
Unhas vermelhas
Cabelo de ló
Cheiro de quero mais
Mãos de fada
Boca macia
Andar elegante
Sorriso teimoso
Jeito misterioso
Acorda com fome
Olha pedindo
Brinca com a voz
Voz de denguinho
Voz de mulher fatal

(alterado em 10.03.12)

domingo, 28 de outubro de 2007

Outdoors

A prefeita de Amarolândia escreveu uma mensagem e espalhou em outdoors por toda a cidade:

"Eu não lhe escolheria se você não tivesse competência para assumir cargo tão importante na minha vida. Você é até símbolo das minhas calcinhas... Queria te ver feliz, mas para isso você precisaria andar comigo 24 horas por dia. Você nem sabe o que faz! Devia deixar eu decidir tudo... Eu nem acredito que você possa ser feliz longe de mim, só dentro de mim, bem dentro de mim... Mentira sua que finge ter paz em mundos onde eu não estou."
Sobre a lata do lixo

Assim que eu cheguei do Rio de Janeiro a Teresina (eu tinha uns dois anos), minha mãe ia trabalhar, e eu não me conformava com a quebra do cordão umbilical. Quando ela saía de casa, era aquela confusão. Eu chorava desesperadamente pra ela ficar. E não eram uns snif, snifizinhos não, eram uns buaaaaaaaá, buaaaaaaaaaaá’s escandolosos. Hoje, pensando bem, inteligente seria se eu voltasse a minha personalidade geniosa, esperta e dramática de antigamente.

Naquela época, eu acabava com a minha garganta... (Ai que dó da minha garganta agora!) Eu esgoelava, esgoelava, esgoelava... e saía correndo pelas ruas perto do Restaurante Dona Maria, no Jóckey, onde foi a minha primeira casa em Teresina. Eu sabia fazer chantagem também ficando sem comer, eu era um terror... Tudo pra ela voltar pra mim...

Num dia das minhas insistidas, eu desmaiei no meio da rua. Pluft! E advinha quem me salvou? Um bendito carro de lixo que passava bem na horinha. (Diziam os meus irmãos mais velhos que eu fui achada dentro de uma lata de lixo. Eu passei minha infância tendo que ouvir isso. Eu morria de rir por dentro, achava muito engraçado, mas fazia cara de mau pra não dar o braço a torcer.)

Foi nesse dia que o meu plano infalível deu certo. Minha mãezinha boazinha pediu demissão do emprego pra ficar colada em mim o dia inteiro. Tudo bem que trabalhar é bom, mas cuidar de uma fofurinha que nem eu devia ser muito melhor, não é mesmo?

Agora, aos 25 anos, não sei mais o que é fazer escândalo. E até que fiz alguns na minha adolescência. Aliás, nem sei se passei por isso, acho que de criança virei mulher. E mulher não chora, nem arrisca as cordas da voz, nem grita correndo pelas ruas, muito menos sai desmaiando por aí a fora. Mulher de verdade engole seco, tem sangue no olho, não sente medo, sabe que dentro dela tem um escudo de ferro. Mas mulher de verdade só quer um guerreiro pra detonar esse escudo de ferro idiota que ela insiste em guardar com ela.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Eu não lhe contei

Que você nem conheceu a minha avó. Dona Chiquinha tinha os olhos azuis, a pele branquinha, cabelo feito espaguetes, compriiiidos. Ela era um amor de gente. Diziam que eu tinha sido achada numa lata de lixo, mas quando eu vi aquele riso pela primeira vez tive a certeza de que o meu sangue circulava na veia dela. Um sangue simples, de cor vermelha mesmo, um vermelho vivo, de gente que quando nasceu olhou no dicionário o significado de gente, gente que não encontrou o significado da palavra maldade, gente que nem precisava perdoar porque não se sentia ferida por nada, gente que só de olhar não precisava dizer ‘eu te amo’, gente que se escondia feito menina pra ajudar. E eu tinha um namorado que todo mundo dizia que ele era feio, e ela botava a mão no queixo e dizia que ele era lindo. Ele é liiiindo! Minha avó era aquele tipo que não precisava dizer nada pra dar conselhos, bastava olhar pra ela. E hoje depois de tantos anos chorei lembrando dela. Dei a minha vez pra todo mundo, agora é a minha, só minha. E se ela estiver aqui do meu lado agora, ela sabe que eu já dei um monte de tropeços, mas no todo eu só quero ser um pedacinho do bolo doce que ela deixou aqui.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Ao vivo

Quer jogar de amor?
Cuidado que vai ter transmissão

Teu jogo é penetrante,
Escaldante
Ou pura afobação?

Vivo o teu vivo
Vive a minha viva
E quem não mais quer esse vidão?

Nesse jogo
Eu não brinco
Nem faço improvisação

Sente cada suspiro
Cada sorriso
Cada comemoração

Nesse jogo eu sou forte
Eu vivo da diversão.
Libertina

Sorriso debochado
No meu Corcovado

Não quero perguntas
Nem exclamação

Se não te possuo nas mãos
Também não ocuparás o meu chão

O meu céu é perfeito
Só quero voar pelo sertão

De pára-quedas ou balão

O que importa é respingar emoção.

domingo, 14 de outubro de 2007

Recado de geladeira

Meu amor, nesses dias em que eu estarei longe, não esqueça de tomar todas as noites as suas doses de beta-resulvômetro.
E antes de ir dormir, ao acordar, depois de tomar café, antes e depois do almoço, na hora do cafezinho da tarde, depois do jantar e na hora do banho, lembre-se que eu adoro muito você!
Beijinhos da sua mulher!
Concurso V (Exclusivo!)

As inscrições para o concurso de Amarolândia foram suspensas. A decisão foi tomada neste sábado (13), durante o sono da prefeita do município. A assessoria de imprensa marcou uma entrevista coletiva para as primeiras horas do dia, mas só a repórter de política do blog ‘Amor aos Montes’ compareceu. A ausência dos outros jornalistas se tratou de um boicote. Todos queriam dar uma resposta malcriada à prefeita que vinha demonstrando ao longo dos meses preferência ao “Amor aos Montes”. A prefeita não estava a fim de falar muito mesmo e então adorou se pronunciar para uma repórter só.

Pois bem, vamos aos fatos:

A executiva municipal informou que a suspensão do concurso seguirá até que o ex-detento consiga retirar a algema prateada da mão direita. “Infelizmente não posso ajudá-lo nesse desafio, pois estaria sendo cúmplice de uma fuga. Isso atrapalharia a minha reeleição. Arriscaria muita coisa por ele, mas não posso abandonar o meu povo”, esbravejou a prefeita.

Ela revelou que sentia uma dor apertada sempre que ele tocava o rosto dela. A algema pendurada arranhava cada curva do corpo. A prefeita chegava a fechar os olhos imaginando um ferrageiro pondo um fim naquele objeto horrível. Mesmo louca por ele, a prefeita ratificou que não vai telefonar para nenhum funcionário ou eleitor que possua a máquina capaz de quebrar o ferro.

A prefeita vai se licenciar. Quer se afastar de todo e qualquer problema durante uns dias. Ela quer viajar. Deseja ouvir o silêncio. Toques? “Só o do vento no meu cabelo”. Troca de olhares? “Apenas com o próprio espelho”. E quem vai observar a sua pele macia? “O mar deserto”. Quem vai mergulhar no seu sorriso? “Só quem já for invisível”. E as palavras? Quem vai ter o prazer de ouvi-las? “Alguém que estiver perdido na areia”. E o som que escorre por sua respiração? “Só na imaginação dele”. Isso é um castigo? “Não, espaço para os pensamentos”. E vocês vão sobreviver separados? ... (ela parou por um instante e deixou uma lágrima escorrer pelo canto do olho). “A entrevista acabou” – interrompeu a assessora.

domingo, 7 de outubro de 2007

Concurso IV (EXTRA! EXTRA!)

O candidato que passou alguns dias preso na delegacia da cidade vizinha conseguiu fugir na noite deste sábado. A roupa verde dele rasgou, e ele saiu nu pelo matagal até chegar a Amarolândia. Ofegante, diminuiu a velocidade dos passos ao reconhecer a casa da prefeita. As ruas estavam às escuras. Um som sutil de televisão zoava pelas brechas das janelas da Casa Oficial. Ao ouvir sussurros, a prefeita pediu pra que desligassem a TV. Do outro lado da rua, era ele, carregado de ansiedade e cansado de tanto correr... A executiva municipal logo percebeu que se tratava do candidato que tanto esperava. E ele, ao vê-la, aproximou-se de mansinho e rasgou as palavras que há tempos entupia a garganta: “eu sou louco por você. Não consigo mais esconder isso...”. A prefeita sabia a resposta, mas naquele momento só queria sentir por todo o corpo aquelas palavras. Queria sentir cada pontada, cada picada. Estava gritando por dentro e sem nenhum barulho por fora. Uma dor que não doía, nem se descrevia. Inteligente que só ela, preferiu responder com a transferência de pensamentos. Apaixonado que só ele, entendeu direitinho, e pediu, também através de transferência de pensamentos, que ela soasse aquelas palavras que ele acabara de entender. Ela que é só ela, atendeu prontamente ao pedido, e disse via palavras que era louca por ele também.
Desafio

Nessa brincadeira
que não tem mais fim
você é o rei
e eu o jardim

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Indiferença

Esse poema não é pra ninguém
a não ser pra mim mesma
não escrevo mais pra ninguém
só pra mim mesma
e ninguém mais.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Em dias quentes, de muito sol...

Se AUGE fosse com “L”
Não precisaria do “E”
E o que você quer?

Nada de mais
Nada de menos
Só queria sentir o teu vento.

Concurso III

A amiga Francilene Oliveira (quem está concluindo especialização em Jornalismo Literário em São Paulo) falando sobre o concurso do município de Amarolândia:

- Estou ansiosa para ver o que vai dar... rsrssrsrs. bjs.

A detetive que acabou de entrar no curso do Movimento Brasileiro de Alfabetização Amorosa, ministrado no lugarejo conhecido como Encanto dos Bobim:

- E eu também... Fontes confiabilíssimas informaram que a prefeita não vai mais prorrogar as inscrições. Com o meu faro de detetive andei descobrindo também que aquela delegada (de pouca capacidade técnica-amorosa) do município vizinho não deve deixar o candidato preso por muito tempo. Caso ela não desista da prisão e se ele não conseguir fugir a tempo de efetuar a inscrição, a prefeita pretende dar um grande desfecho para essa história toda. Tive a oportunidade de conhecer a prefeita de perto. Vi que ela estudou na Sorbone, tem doutorado em Ciências Amorosas, e está "comendo" livros para o seu pós-doutoramento. Só não descobri qual é a tese. Deve ser algo do tipo: as aplicações conceituais do amor no cotidiano de uma gestora pública à procura de um servidor-padrão.